⚓ Reportagem | Eu.Clides na Casa da Músi ...

⚓ Reportagem | Eu.Clides na Casa da Música

Feb 06, 2024

Uma viagem pelo caminho que Eu.Clides nos tem vindo a mostrar, com pontos de paragem iniciais desde o "Terra Mãe", o seu primeiro single, passando pelo EP "Reservado" e claro, pelo seu mais recente trabalho, o álbum de estreia "Declive", que serviu de mote para encher a sala da Casa da Música.

Eu.Clides é um caso que mete o cérebro em luta com o corpo, em que o cérebro pára para processar a melancolia e a inteligência da lírica, enquanto o corpo pede movimento e balanço. No final de tudo, vencem os dois por se completarem de maneira especial. Prova disso foi "Gravidade 0" que, com o crescendo de dinâmica, levou à dispersão de energia ao ritmo que a música impunha.

Mal tocou o tema "Tê Menos 1", virámos inquilinos da Casa da Música comandados pelo senhorio que estaria em cima do palco a acolher quem o visitou. Serviu-nos da melhor forma e deixou-nos com a sensação de que seriamos sempre bem-vindos, com todas as condições para viver.

"Tê Menos 1", por Eu.Clides

Soaram as palavras "Sou doido, mas ao menos sou varrido e do ar fiz lar (...)" e foi aí que se deu um dos grandes momentos com a, talvez, mais aclamada canção da noite: "Venham Mais 7". Não fosse a lotação da sala e, de certeza, viriam muito mais que sete.

Acompanhado por Tota e Ricardo Coelho na integra e Lilian Mille em temas como "24", deu ainda tempo e espaço para cada um brilhar a solo com o respeito e olhar sentido de Eu.Clides. O talento veio à tona e a fusão de cada um, em momentos planeados ou de improviso, torna cada música especial, não só por já estarmos a aproveitar a oportunidade de sentir ao vivo o que nos vai nos ouvidos, como acrescentando os toques que só ao vivo há possibilidade de assistir.

Este foi um concerto que dá seguimento à tour que começou no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e antecede o Teatro das Figuras, em Faro. Sabe-se já também que fará a abertura dos concertos de Slow J na Altice Arena nos dias 7 e 8 de Março.

Saímos cheios e percorremos um caminho com declive que nos levou a pontos bem altos. E no final, como em "S. Eu", que se salve quem puder.

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Texto por Ricardo Ferreira. Mindway, (2024)

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