Episódio 277: A Decisão de Morar Juntos

Episódio 277: A Decisão de Morar Juntos

Oct 15, 2026

Oi!

Aqui está a transcrição correspondente à parte de explicação do episódio referido. Ela ainda não foi revisada, mas está 95% correta. Caso encontre erros grotescos ou pontos incompreensíveis, deixe um comentário :-) Isso me ajuda e ajuda seus colegas também!

________________________________________________________________

Muito bem! No nosso monólogo de hoje, o narrador está muito animado, né? Ele está: ai, ai, ai, mal vejo a hora de alugar meu próprio cantinho para morar com minha cara metade! E aqui, de cara, ou seja, de início, já temos 3 boas expressões. A primeira delas é uma estrutura: mal vejo a hora de... Blá, blá, blá. E quando você mal vê a hora de fazer alguma coisa, por exemplo, ai, eu mal vejo a hora de viajar, ou mal vejo a hora de comprar novas roupas, isso significa que você está muito animado, que você está muito animada com a ideia de fazer algo, porque algo vai acontecer e é algo empolgante, animador. Por exemplo, Mal vejo a hora de visitar Salvador. Eu escuto o Eli falar sobre essa cidade há vários anos e agora, finalmente, vou visitá-la. Então, mal vejo a hora de visitar Salvador.

E outra coisa que eu posso dizer para vocês é que eu mal vejo a hora de encontrar vocês aqui em Salvador. Eu tenho tido a sorte muito grande de muitos dos meus alunos visitarem Salvador frequentemente. Então, periodicamente, tem um aluno ou uma aluna que está visitando aqui. Então, mal vejo a hora de encontrar novos alunos aqui em Salvador também. A segunda expressão que o narrador utilizou foi o cantinho.

E essa é uma maneira muito informal de falar do seu lugar, da sua casa, do seu apartamento, da sua cidade. É uma maneira carinhosa muito amorosa, né, de falar de um local seu ou um local onde você mora. Por exemplo: a Mariana morou com os pais durante muitos anos, mas recentemente ela alugou um apartamentozinho perto do trabalho. É um apartamento muito pequeno, tem só um quarto, uma cozinha e um banheiro, mas ela adora o cantinho dela. Ela adora o cantinho dela.

E é aquele negócio, né? Pode ser muito pequeno, mas é meu. Então, é o meu cantinho. Inclusive, se você for em algumas bibliotecas, lá tem o cantinho da leitura, que geralmente é um local para as crianças lerem. Não são todas as bibliotecas que têm isso, não, mas muitas delas têm.

E as pessoas gostam de fazer o seu cantinho em casa. Então, por exemplo, a minha casa é o meu cantinho, mas dentro da minha casa tem um cantinho só para eu ler. E realmente eu tenho um cantinho separado, porque senão a minha cachorrinha e a minha gatinha ficam lá me enchendo o saco o tempo todo. Então eu fico no meu cantinho, elas ficam no delas. E a terceira expressão que o narrador utilizou Foi?

Cara-metade. E a cara-metade é uma expressão muito carinhosa usada para falar de uma pessoa com quem você tem um relacionamento amoroso, né? Pode ser o seu marido, a sua esposa, aquela pessoa especial. Ela é a sua cara-metade. É uma maneira bem romântica, tá, de falar.

A gente também fala a metade da laranja. Então, a laranja você corta em duas bandas, né? Corta em duas metades. Uma metade para um lado, a metade para o outro. Então, quando as duas metades estão juntas, elas estão completas.

É daí que vem a ideia carametade, metade da laranja. E também nós falamos de alma gêmea. E a alma é a ideia do espírito, uma coisa superior. E a alma gêmea, isso significa que é uma alma que é igual a você. Quando as pessoas são muito parecidas e elas têm esse relacionamento romântico, nós dizemos que elas são almas gêmeas.

Inclusive, uma dica cultural: tem uma novela um pouco antiga já, acho que tem uns 15 anos pelo menos, que se chama Alma Gêmea, muito popular na época. Eu acho que uns 15 anos não, deve ter 20 anos. E essa novela foi muito popular na época. Então, e tem uma música também de um cantor chamado Fábio Júnior, que ele canta: as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos. É um negócio bem antigo também.

Bom, depois de todo esse lero-lero, depois de todo esse lero-lero sobre romance e o começo, o narrador começa a explicar como é que aconteceu o relacionamento dele. Aqui nós sabemos que a namorada, esposa, amante dele se chama Sarajane, que é um nome antigo, não é tão comum no Brasil, é a junção de Sara e Jane, então Sarajane, tudo numa pessoa só. E o narrador e a Sarajane engataram um namoro logo de cara e em coisa de 2 semanas o rolo estava sério. E só aqui nós já temos algumas expressões boas. A primeira delas é engatar, geralmente engatar um relacionamento, engatar um namoro.

E quando uma pessoa ou duas pessoas, normalmente são duas, elas engatam um namoro, elas começam um relacionamento amoroso. E engatar passa essa ideia de começar, então As pessoas às vezes dizem: ah, eles dois já engataram alguma coisa? Ou seja, eles já começaram realmente o relacionamento deles?

E engatar originalmente vem do carro. Quando você vai dar uma partida no carro, dar a partida no carro, ou seja, iniciar o carro, fazer ele funcionar, você tem que engatar a marcha para o carro começar a andar. Então, você engata a marcha do carro e o carro começa a andar. Mesma coisa um relacionamento. E podemos falar também de um negócio.

E agora eu dou um exemplo para vocês. No passado, para ser mais exato, 15 anos atrás, ficou muito popular no meu estado, lá no Ceará, É o cupcake. Tinha cupcake em todo lugar. Você ia na padaria, eles vendiam cupcake. Você estava dirigindo na rua, alguém na rua vendia cupcake.

Então, uma amiga minha da faculdade, na época, ela é muito simpática, inclusive, ela decidiu fazer um negócio de cupcake. No começo, ficou um pouco devagar, ela vendia um cupcake aqui, vendia um cupcake ali, pouca coisa. Mas depois de, acho que uns 3 meses, o negócio engatou. E aí ela começou a vender muito cupcake. Inclusive, boa parte da faculdade ela usava o dinheiro dos cupcakes para comprar coisas para faculdade, para comprar coisas para casa dela.

Então o negócio realmente engatou depois de uns 3 meses.

A outra expressão que o narrador utilizou foi em coisa de. 2 semanas. E aqui a estrutura é importante: em coisa de...

Quando você usa isso como uma expressão de tempo, em coisa de 2 anos, em coisa de 5 anos, isso quer dizer em aproximadamente esse período. Então, demorou coisa de 2 anos, levou aproximadamente 2 anos. É uma maneira muito informal e é geralmente como nós falamos no dia a dia. Por exemplo: quando comecei a estudar alemão, pensava que nunca conseguiria falar nenhuma frase, mas em coisa de um ano praticando, ah, foi muito bom, eu consegui finalmente falar bem alemão. Então, levou coisa de um ano para eu me sentir confiante.

Eu posso dizer: levou aproximadamente 1 ano para eu me sentir confiante, ou levou coisa de 1 ano para eu me sentir confiante. E a terceira expressão, que foi, na verdade, um substantivo, uma palavra simples, foi o rolo. O narrador disse que o rolo estava sério depois de apenas 2 semanas. E o rolo é uma palavra muito informal para dizer um relacionamento amoroso ou um envolvimento amoroso. Geralmente, quando a gente fala o rolo, isso significa que a coisa ainda não é completamente séria, né?

A gente ainda encara isso com alguma informalidade. Então, a gente olha para esse e diz: Eles têm um rolo, não tem? É, o negócio ainda não engatou não, é só um rolo. E uma coisa que vocês vão observar é que no português do Brasil nós temos muitas palavras para falar de relacionamentos, sejam eles amorosos ou não, porque no Brasil nós valorizamos muito os relacionamentos e nós temos Graduações, nós temos níveis diferentes. Então, um envolvimento romântico pode ser um negócio, um fica, um rolo, um lance, um namoro, uma paquera.

A gente tem muita, muita palavra para isso. E lá no canal do YouTube eu vou guardar um vídeo especificamente para esse assunto. Então, se você estiver ouvindo isso no YouTube, dá uma olhada no canal, ou então dá uma olhada na descrição desse episódio para procurar lá, tudo bem? E para quem é aluno lá na escola, nós também temos um artigo sobre isso, é só procurar tipos de relacionamento no Brasil.

Então, o que o narrador disse foi que, basicamente, ele e a Sarajane começaram um namoro, E, depois de 2 semanas apenas, eles perceberam que era sério e que eles queriam se casar. É bem rápido, né? E o narrador reconhece que é rápido, ou melhor, ele diz que a família dele reconhece que é rápido, porque ele disse que os pais dele dizem que ele é muito precoce. E o narrador diz: Não, eu não sou precoce, eu sou intenso. Para mim, ou vai ou racha.

Para mim, ou vai ou racha.

E aqui nós temos duas boas palavras ou expressões. A primeira delas é precoce. Normalmente, quando nós dizemos que alguém é precoce, significa que alguém se desenvolve ou faz alguma coisa muito antes do que se esperava. Então, por exemplo, normalmente as pessoas vão para a universidade com 18, 19 anos, mas pode ser que um estudante precoce vá para a universidade com 12 anos, porque ele é um gênio.

Nós também falamos de precoce sobre um evento ou sobre um acontecimento que acontece muito antes do que é esperado. E, geralmente, a gente pensa que muito antes de estar pronto para isso. Vou te dizer dois exemplos. O primeiro deles é: o João começou a fazer academia há uma semana, ou seja, 7 dias atrás, ele começou a fazer exercícios e essas coisas todas. E, nesta semana, ele já decidiu se inscrever para fazer uma maratona.

Eu acho que essa decisão é um pouco precoce. Uma maratona são vários quilômetros para uma pessoa correr. Ele mal começou a fazer exercícios e já quer correr uma maratona? Eu acho isso muito precoce.

O segundo exemplo é o do próprio narrador. Muitas pessoas acham que, antes de casar, as pessoas devem namorar durante pelo menos alguns anos. Na internet, eu peguei algumas opiniões e algumas pessoas dizem que são pelo menos 2 anos de namoro antes de casar. Então, casar depois de 3 meses de namoro pode ser um pouco precoce. Essa é a opinião de quem está na internet aqui no Brasil.

E o narrador diz que ele não é precoce coisa nenhuma. É porque ele é muito intenso. Para ele, ou vai ou racha.

E a expressão ou vai ou racha é muito informal e a gente usa ela quando a gente fala de uma decisão que a gente vai tomar. Essa decisão, né, você vai fazer essa coisa, não importa o resultado. Você não vai pensar muito sobre isso. Você simplesmente vai fazer. Se der certo, muito bem.

Se não der certo, que pena.

Isso também significa que não tem nenhum resultado no meio, não tem nada intermediário. Então, ou vai ou racha.

Se você precisar de outras palavras para falar disso, claro que você precisa, porque eu também preciso, você pode dizer: que alguém arrisca tudo, né? Essa pessoa coloca tudo em jogo, ela não quer saber de indecisão, ela vai arriscar, não importa o que aconteça, ou vai ou racha. E rachar é um verbo que significa quebrar, partir no meio.

E uma coisa que eu posso dizer para vocês É uma coisa bem pessoal. No começo, muito lá atrás, eu fiz outros cursos universitários. Inclusive, estudei sociologia, administração, mas eu sempre começava esses cursos pensando: ah, eu não gosto muito, mas eu vou tentar. Com o curso de literatura e letras, na verdade, foi diferente. Nesse caso, eu disse: olha, eu já tentei tanta coisa, nada deu certo.

Dessa vez, eu vou tentar literatura e linguística. E ou vai ou racha, não importa o resultado, eu vou fazer isso. E deu certo, foi, não rachou não.

Então, tem aí um exemplo de uso. E nessas decisões é muito importante que o parceiro ou a parceira esteja de acordo, né? E foi o que o narrador disse, ele falou com a Sarajane, perguntou se ela aceitava esse casamento, né, já para morarem juntos, e ela disse que estava dentro. E que estava com ele e não abria.

Essas duas expressões são expressões muito similares. Quando alguém diz que está dentro, quando recebe algum convite ou uma proposta, isso significa que ela está de acordo, que ela aceita e que vai participar em qualquer coisa que a pessoa tenha convidado. Por exemplo, Eu pergunto para você: olha, já que você está em Salvador, vamos na praia? Aí você diz: tô dentro! Significa: eu aceito, vamos!

Ou se você convidar os seus amigos brasileiros para um restaurante, né? Você diz: pessoal, tem um restaurante mexicano muito bom aqui na cidade, bora lá ver? Aí o pessoal diz: tô dentro! Ou então: tamo dentro! Tamo dentro é informal para estamos dentro.

Então, tamo dentro. E você até pode perguntar se uma pessoa vai ou não vai participar com você. Você diz: olha, eu quero saber se vocês vão. Eu estou indo para uma festa e quero saber se vocês vão comigo. E aí, vocês estão dentro?

Aí o pessoal tá cansado, eles não querem ir. E eles dizem: Olha, nós estamos fora. Ou: Tamo fora. Ou então: Eu tô fora.

Então, o contrário de tô dentro é tô fora. E quando alguém diz: Eu estou contigo e não abro, isso significa: Eu te apoio 100%, não importa o que aconteça, eu não vou mudar de ideia. Eu te ajudo, eu te apoio e eu aceito o que você tem para dizer. Geralmente é uma maneira de você mostrar apoio a uma pessoa, né? Imagina só, e aqui é um exemplo.

Imagina que você tem uma amiga que trabalha há muitos anos no ramo de tecnologia, mas ela tá cansada, ela tá estressada, mas o salário é bom, ela ganha muito dinheiro. Mas ainda assim ela não tem qualidade de vida. Ela está pensando em começar a trabalhar com turismo. Só que turismo não dá dinheiro. É bom, é divertido, mas não dá dinheiro.

Quando ela fala com outras pessoas, as pessoas dizem: você vai abandonar uma carreira na tecnologia por uma vontade de se divertir com essa porcaria de turismo? E essa amiga fica mais e mais triste. Quando ela pergunta para você: e aí, o que você acha que eu devo fazer? Será que eu devia sair dessa profissão e trabalhar com algo mais divertido? E aí você pode dizer: olha, não importa o que você faça, eu tô contigo e não abro.

Se você quer seguir o seu sonho, siga o seu sonho. Eu estou contigo e não abro.

Só que nem todo mundo está com o narrador, e às vezes algumas pessoas abrem, que foi o caso do Abreu. O narrador foi falar com Abreu, que é um amigo de longa data, e desembuchou logo tudo. Ele não guardou nenhum segredo. E o Abreu, muito ponderoso, disse para o narrador pensar duas vezes, porque ele tinha uma história para contar. Antes da gente rever a história do Abreu, vamos rever algumas expressões aqui.

A primeira delas é de longa data. E quando nós dizemos que nós temos um amigo de longa data, é um amigo antigo, é um amigo que você tem há muitos anos. Normalmente, nós falamos de amizades de longa data. Então, eles são amigos de longa data, significa que eles se conhecem há muito tempo. Que eles são amigos há muito tempo.

Mas nós podemos falar de qualquer outro tipo de relacionamento. Pode ser um relacionamento profissional. Por exemplo, no meu caso, eu tenho alunos de longa data. Eu comecei a trabalhar online em 2016, né? Eu trabalho já como professor desde 2012, 2013, mas como professor online desde 2016.

E eu posso dizer que eu tenho uns 15, 20 alunos de longa data, que estão comigo desde 2016. Muitos outros são alunos de 2020. Então, a maior parte dos meus alunos são de longa data.

A outra expressão que o narrador utilizou foi que ele desembuchou logo tudo. E desembuchar é uma expressão, é um verbo muito informal, É um verbo regular também e significa falar tudo, não guardar nenhum segredo. Você não vai se preocupar com nenhuma restrição, você simplesmente vai falar e falar e falar. Geralmente, a gente usa essa palavra para pedir que alguém fale logo e não guarde um segredo, não guarde uma fofoca. Veja só o exemplo: o João estava no trabalho quietinho.

E o Pedro chegou para o João e disse que tinha um negócio muito legal para contar, mas não podia contar agora porque não tinha tempo. O João não aguentou. O João disse: Bora, desembucha! Eu quero saber, não guarde segredo, me conta que coisa boa é essa, desembucha!

E desembuchar tem na raiz, tem no meio dessa palavra, a palavra bucho, que é uma palavra muito informal para falar barriga, né, nosso estômago. Então, desembuchar é tirar daqui de dentro e colocar para fora. Então, desembucha, fala, conta logo.

O narrador utilizou outra palavra de R$20. Cada vez que você usa, você fica mais rica, Você fica mais rico e as outras pessoas talvez gostem ou não.

E a palavra é ponderoso. É um adjetivo muito raro e significa que uma pessoa pensa muito, ela reflete muito, ela está muito reflexiva, então ela está ponderosa. A palavra mais comum no dia a dia é pensativo ou pensativa. E um exemplo que eu posso dar é: o João está tão sério e pensativo recentemente. O que será que aconteceu?

Será que está tudo bem com ele? Ele anda muito pensativo.

Mas, no livro, você vai escutar, ou você vai ler, na verdade, não escutar, O João está muito ponderoso, ele está muito pensativo.

E o amigo do narrador, o Abreu, disse para o narrador pensar duas vezes antes de dar esse passo. E quando a gente fala pensar duas vezes, significa que alguém deve refletir cuidadosamente, deve pensar muito antes de tomar uma decisão, ou realizar uma ação. E geralmente a gente manda uma pessoa pensar duas vezes porque o resultado pode ser negativo, né? Então, um exemplo que eu posso te dar é o seguinte: o meu sobrinho quer morar fora do Brasil, mas ele não sabe falar nenhum idioma e também não tem nenhuma formação educacional. Ele apenas tem vontade.

Eu disse para ele que nessa situação ele devia pensar duas vezes antes de viajar para fora do país para imigrar. Ele devia pensar duas vezes antes de fazer isso, porque pode ser um problema muito grande não ter nem formação nem capacidade de falar a língua do outro país.

E eu acho que, se eu me conhecesse quando eu comecei a fazer sociologia, eu provavelmente teria dito para mim mesmo: Ele é Kim. Pense duas vezes antes de fazer sociologia. Nós temos professor de português, nós temos professor de inglês, nós temos eletricista, mas sociólogo? A gente não vê um sociólogo trabalhando em uma empresa. Então, eu devia ter pensado duas vezes.

Claro, é só uma brincadeira. Eu gosto muito de sociologia também.

Tá, o Abreu mandou o narrador pensar duas vezes, mas por quê? Porque o próprio Abreu também teve uma experiência negativa, né? Ele diz que decidiu juntar as escovas com uma garota que ele conheceu na faculdade, e ela era muito simpática, mas depois que eles se juntaram, Ou seja, depois que eles começaram a morar juntos, ela mostrou as garras. O Abreu dizia alguma coisa e ela rebatia o que ele dizia. Ele pedia algo, por favor, e ela dava uma patada na cabeça dele.

Ela dava uma patada. E, quando ele sorria, ela rosnava. E todo esse conflito azedou a relação dos dois. E um dia o Abreu pulou fora e desapareceu. E aqui nós temos algumas boas palavras para falar sobre um mau relacionamento e também uma palavra, ou melhor, uma expressão mais neutra.

A expressão neutra é juntar as escovas. E juntar as escovas significa morar junto, com outra pessoa, sempre em um relacionamento romântico, tá? Porque quando você pega a sua escova de dente e coloca junto da escova de dente de outra pessoa, né, você quer que essa pessoa seja muito próxima de você. E fora a sua família, você só vai juntar suas escovas com o seu parceiro, com a sua parceira. Ou parceiros e parceiras, a gente tem muitos parceiros ao longo da vida também.

Então, ele decide juntar as escovas e a namorada dele, ou esposa, ele não diz exatamente que tipo de relacionamento ele tinha com ela, eles foram morar juntos e, antes, ela era muito simpática, depois, ela mostrou as garras. E quando alguém mostra as garras, isso significa que ela começa a se comportar de uma maneira desagradável que antes ela não mostrava, né? Ela antes não tinha esse comportamento. E geralmente a gente pensa em fingimento, em enganação. Uma pessoa é aqui um anjinho de boazinha, tão simpática, tão legal, mas você dá na mão dela um pouquinho de poder e ela vira o demônio, ela mostra as garras.

E aqui eu posso dar dois exemplos para vocês. O primeiro deles é o seguinte: o Roberto era um funcionário muito simpático e ajudava todo mundo. Ele era solícito e, quando as pessoas pediam ajuda, ele ajudava. Mas isso só durou até o Roberto virar chefe. Quando ele virou chefe, ele mostrou as garras, ele mostrou quem ele era realmente: uma pessoa desagradável, autoritária, impaciente e muito chata.

Então, foi só ele virar chefe que começou a mostrar as garras.

Ah, a gente também diz botar as garras de fora, que significa mostrar as garras.

O segundo exemplo que eu posso dar é o seguinte: o vendedor estava todo simpático falando com a cliente, oferecendo a ela um novo aspirador de pó, uma nova televisão, mas quando a cliente insistiu que não queria nada, o vendedor mostrou as garrinhas dele e disse que a cliente era uma pobre e que ela não podia comprar nada.

Esse exemplo é um pouco mais extremo, mas acredite, eu já vi isso acontecer. Tinha um amigo meu que não é exatamente amigo, ele era mais um colega, né? Eu conhecia ele, eu sabia quem ele era em uma multidão. Ele estava dentro de um grupo, eu sabia: esse daqui é a pessoa que eu conheço. Mas o que aconteceu?

Ele desapareceu durante muitos anos. Eu não sabia onde ele estava e também não fazia diferença. Aí o que acontece? Ah, e esse é um gesto que a gente faz, gente, aqui no Brasil para mostrar que a gente não se importa. Mas aí o que acontece?

Depois de muitos anos, esse colega apareceu do nada, assim. Mágica. Ele me telefonou e disse: Eliaquim, como é que vão as coisas? E eu: Tudo bem. Fiquei um pouco suspeito, né?

Eu pensei: Nossa, por que ele tá me procurando agora? E ele insistiu tanto que queria me ver, eu até fiquei assim lisonjeado, né? Nossa, eu não sabia que ele gostava tanto de mim. É um amigo legal. Quando ele veio na minha casa, aí ele mostrou as garras dele.

Ele começou a falar que tinha uma excelente oportunidade de negócio e que queria me apresentar os produtos da empresa dele, que na época era a Forever Living, que era uma empresa de marketing multinível ou multi-level marketing, que não é uma coisa muito boa, pelo menos não para mim. Aí ele mostrou as garras dele, eu disse: ah, então era isso? Vai embora daqui, cara, eu não quero falar sobre isso não. E depois disso nunca mais vi ele de novo.

E aí, agora eu fico pensando, talvez ele tenha enriquecido, porque ele era muito insistente. Então, pode ser que para ele tenha dado certo.

E aí, o narrador falou aqui também, ou melhor, o Abreu falou que não importava o que ele dizia, ela rebatia tudo. E quando alguém rebate uma coisa que você diz, É uma pessoa contrária, ela discorda, ela fala alguma coisa para mostrar que ela não gosta, ela vai contra o que você falou. Às vezes, nós precisamos rebater uma coisa que é estúpida, né? Alguém diz assim: a Terra é plana. Desculpa, gente, mas se alguém me diz que a Terra é plana, eu vou rebater.

Eu vou dizer: não, a Terra não é plana, não, sai para lá! A gente tem outras coisas para discutir, mas não isso. Se você me disser que a Terra é plana, eu vou rebater o que você diz, eu vou dizer: deixa de ser burro, olha para os livros de ciência, olha para o planeta, caramba! Você também pode rebater uma crítica ou um comentário. Por exemplo, a Ângela disse: que o Bruno não estava fazendo o trabalho dele.

E o Bruno rebateu, ele disse que estava, sim, fazendo o trabalho dele e que a Ângela só falava isso porque ela queria que o Bruno fizesse o trabalho dela também. Então, ela disse: Você não está fazendo o seu trabalho. E o Bruno rebateu: Não, não, não, eu estou fazendo o meu trabalho, eu não vou fazer o seu trabalho. Então, um bate e o outro rebate. E você pode imaginar uma partida de ping-pong, né?

A gente, um bate a bola e o outro rebate. Um bate, o outro rebate.

A outra expressão que o Abreu usou foi dar uma patada. E quando alguém dá uma patada em você, isso significa que essa pessoa trata você de uma maneira grosseira, muito agressiva, impaciente, e muitas vezes é uma resposta desagradável, um comentário desagradável que não era necessário naquele momento. Às vezes a pessoa só não tem paciência. E aqui eu posso dar dois exemplos. Uma patada muito comum, gente, é quando uma pessoa está irritada, né?

Aí a outra diz assim: Bom dia, João! E o João diz: O que é que tem de bom? Isso é uma patada. A outra patada que eu posso dar de exemplo é a seguinte: a cliente pergunta para o vendedor: Quanto é que tá esse produto? E o vendedor, bem impaciente, pergunta: A senhora vai comprar?

E a cliente diz: Não, eu só estou querendo saber o preço para decidir se eu compro ou não. E o vendedor diz: Bem, se a senhora não vai comprar, não precisa saber o preço. Pum! Isso é uma patada também. Então, a patada sempre é um comentário em resposta, né?

E é uma coisa desagradável e muitas vezes que parece desnecessária naquele momento. Eu mesmo sou culpado disso. Às vezes eu dou uma patada em alguém.

Não, eu não quero ser antipático, mas é porque eu não quero perder a oportunidade também. Um exemplo que eu posso te dar, pessoal, isso aconteceu comigo quando eu morava em Maracanaú. Eu dava aulas na época às 5 da manhã porque eu tinha muitos alunos da China. E então eu tinha que trabalhar muito cedo, às 5 da manhã. E conversar com os meus alunos é sempre muito divertido, então eu rio bastante, eu começo a rir.

E uma vizinha minha, um dia desses, me perguntou: Eliquinho, com quem é que tu tanto ri de manhã? Com quem é que tu tanto conversa? Porque eu escuto tu rir. Eu poderia ter dito: Não, minha vizinha, Eu converso com os meus alunos e às vezes eles contam coisas engraçadas e eu rio. Isso eu poderia ter dito, mas eu não disse.

O que eu disse foi: e para que que a senhora quer saber?

Foi completamente mal-educado da minha parte dizer isso, mas é porque ela era tão fofoqueira. Eu fiquei: para que que a senhora quer saber? Aí eu dei uma patada nela.

Bom, e a outra expressão que o Abreu usou foi que a namorada dele rosnava quando ele pedia alguma coisa. E rosnar, literalmente, é quando o animal faz esse som, né? Tem um cachorro que rosna, um gato— um gato rosna? Não, acho que não. Mas alguns animais rosnam para mostrar que eles estão agressivos.

E se uma pessoa rosnar, ela fala de uma maneira agressiva, ela trata alguém de uma maneira agressiva, né? Ela está rosnando.

E todo esse comportamento negativo e desagradável azedou a relação do Abreu com a namorada dele, e ele pulou fora. E azedar é um verbo que significa Estragar, né? Geralmente a gente fala que um alimento azeda. Então, por exemplo, se você tem leite na geladeira e passa muito tempo, 3, 4, 5 semanas, o leite vai azedar, ele vai ficar com um sabor horrível. Outros tipos de comida também podem azedar, né?

O arroz pode azedar e ficar com uma aparência assim, suada e cheia de líquido. Arroz azedo é a pior coisa que tem na cozinha. E quando nós falamos de um relacionamento ou uma situação azedar, então ela estraga, ela se destrói, por assim dizer, ela fica desagradável. Por exemplo, Eu trabalhei naquela empresa durante quase 20 anos. Durante muito tempo foi muito bom, eu gostava dos meus chefes, gostava da administração, gostava do trabalho.

Mas aí então a empresa foi vendida e os novos donos demitiram todos os chefes antigos. E aí os novos chefes eram muito chatos, aquilo azedou o trabalho para mim. Aquela mudança azedou o trabalho para mim e eu decidi sair da empresa.

E o outro exemplo que eu posso dar é o seguinte: a Roberta e o Carlos estavam conversando tranquilamente, só que aí chegou o Pedro. E o Pedro é muito chato, ele só fala de coisas ruins, fala de acidentes o tempo todo, de coisas que são deprimentes. Então, quando o Pedro chegou na conversa da Roberta e do Carlos, ele azedou a conversa e todo mundo parou de falar. Ele fez um comentário e azedou a conversa, ou azedou o clima da conversa.

Bom, e todo esse comportamento negativo, ou dessa interação negativa, que o Abreu tinha com a namorada, tudo isso azedou a relação. E o Abreu decidiu pular fora do relacionamento, ou seja, ele decidiu abandonar, basicamente, o relacionamento.

E aí o narrador volta a falar, ele diz: poxa, que barra! Que barra essa que o Abreu enfrentou!

Mas o narrador até cogitou falar com a Sarajane sobre essa possível dificuldade, sobre esse medo que o Abreu apresentou para o narrador. Só que o narrador disse que achava que era melhor não. Ele já tinha uma noção, ou seja, ele já tinha uma ideia de que ele seria esposo e amante. E trabalhador e sustentador, ou alguma coisa do tipo, né? Ele ia ter vários papéis.

E ele também sabia que teria que ralar muito para que eles se sustentassem e para que tudo desse certo. E ele também sabia que era importante conciliar os papéis, os papéis que ele ia exercer na relação. E, como ele já era bem maduro, ele sabia que isso ia ser uma fichinha. E aqui nós temos algumas boas expressões, e eu tenho certeza que vai ser fichinha para você também. A primeira delas é: que barra!

E a barra é uma expressão informal que significa uma situação difícil, uma situação complicada. Então, eu posso dizer: Poxa, eu estou enfrentando uma barra no meu trabalho. Ah, tá uma barra lá no meu trabalho, tô enfrentando uma barra. E quando a gente diz, poxa, que barra, é que situação complicada, que situação difícil.

E o narrador disse isso sobre a situação do Abreu com a ex-namorada dele. Ele, ô, que barra isso que você enfrentou com a sua namorada.

O narrador diz que cogitou falar com a Sarajane sobre esse medo, sobre esse receio. E cogitar é uma palavra tão comum, gente. Ela parece chique, cogitar, mas não, ela é bem comum. E quando você cogita fazer alguma coisa, você pensa na ideia de fazer alguma coisa, ou então imagina, alguma alternativa, talvez, antes de tomar uma decisão. Não significa que você vá fazer algo, mas que você pensou sobre fazer algo, né?

Está avaliando, ainda não se decidiu. Então, um exemplo pessoal que eu posso dar é que eu já cogitei morar fora do Brasil. Eu pensei em morar um tempo na China ou na Alemanha, né, que são dois países cujos idiomas eu já estudei bastante. No passado eu era mais ou menos um germanista, né? Eu tinha estudado alemão, é um pouquinho de sueco, só o básico mesmo para eu saber que existia, norueguês, dinamarquês, frísio.

E eu pensei que morar na Alemanha seria uma boa ideia, né? Eu cogitei morar na Alemanha, mas aí por questão de trabalho, questão de estudos e questões financeiras eu decidi que não, é melhor ficar no Brasil. Então, eu cogitei morar fora, mas não morei fora, não.

E você? O meu segundo exemplo, na verdade, é uma pergunta: você já cogitou ficar no Brasil uns 6 meses? Me diga nos comentários.

E o narrador diz que ele já sabia que ele ia precisar trabalhar muito Mas ele não disse que ele ia precisar trabalhar muito, ele disse que ia precisar ralar muito. E quando alguém rala, isso significa que essa pessoa trabalha para caramba, ela se esforça muito para conseguir alguma coisa. E geralmente você rala para fazer alguma coisa. Por exemplo, olha, eu já ralei muito para aprender os idiomas que eu aprendi. Então, Eu ralei muito para aprender os idiomas que eu aprendi, assim como você também está ralando muito para falar português.

Eu sei disso.

Um outro exemplo que eu posso dar de ralar é o seguinte: a Vanessa trabalha muito durante o dia e estuda à noite. Ela se acorda cedo, pega ônibus cheio e chega em casa cansada. Mas ela continua, né? Ela tá ralando muito porque ela quer ter uma vida melhor no futuro. Então, agora a Vanessa tá ralando muito, trabalha de dia, estuda de noite, pega ônibus, tá difícil, mas ela rala porque ela quer ter um futuro melhor.

E o narrador sabe que ele vai ter vários papéis, né? Ele vai ser o marido, ele vai ser o trabalhador, ele vai ser a pessoa mesmo. Então, o que ele precisa fazer é conciliar os papéis, ou seja, ele precisa equilibrar as funções que ele tem. E é uma coisa que eu pergunto muito para as pessoas em geral, né? Eu conheço gente, por exemplo, que tem Meus pais, por exemplo, eles tiveram 4 filhos, só que eles também trabalhavam, e aí eles tinham que estudar e tinham que fazer isso e aquilo.

E aí eu perguntava: como é que vocês conciliavam todos esses papéis? Ou seja, como é que vocês equilibravam tudo isso? E é uma pergunta que eu faço para você, meu ouvinte, minha ouvinte: como é que você concilia os seus estudos de português com todas as outras coisas que você precisa fazer.

Então, você percebe aqui que conciliar em português é um falso amigo, tá? É um falso cognato. Parece um pouco a palavra em inglês, mas não é não. Cuidado com isso.

E o narrador sabia, então, que ia ter que conciliar todas as responsabilidades, todas as funções, e isso porque ele era muito maduro e também ele achava que fazer isso seria fichinha.

E fichinha é uma palavra informal, vem de ficha, mas informalmente significa uma coisa pequena, sem importância, ou que é fácil, que não apresenta dificuldade. Por exemplo, Para algumas pessoas, estudar idiomas é difícil. Para outras, é fichinha. Elas já têm experiência, então aprendem muito facilmente. Para algumas pessoas, estudar idiomas é fichinha.

Um outro exemplo, agora falando de quantidade pequena ou valor pequeno: Ah, esse computador custa só R$5.000? Para mim isso é fichinha, menino. Eu posso comprar, nem me preocupo com o valor. Para mim, isso é fichinha.

E um último exemplo que eu posso dar é o seguinte: o meu irmão faz artesanato, ele faz umas peças muito, muito bonitas. Para mim, fazer essas mesmas peças é muito difícil, eu não consigo, eu não tenho talento com as mãos. Mas, para o meu irmão, isso é fichinha. Ele faz assim, ó, e está feito.

Agora eu tenho que dizer, não sabemos se para o narrador realmente vai ser fichinha, né, conciliar todos os papéis, ter um bom relacionamento e juntar as escovas com a Sara Jane. Vamos esperar que tudo dê certo, mas enquanto não sabemos se dá certo ou não, vamos ouvir o monólogo mais uma vez, porque agora que você sabe como utilizar essas palavras, vai ser fichinha entender o que eles dizem.

Vous aimez cette publication ?

Achetez un livre à Eli Sousa, Portuguese with Eli

Plus de Eli Sousa, Portuguese with Eli