Episódio 276: Fechando as Portas

Episódio 276: Fechando as Portas

Oct 11, 2026

Aqui está a transcrição do episódio 276, a parte da explicação. Ainda não foi revisado, mas, tenho de dizer, o sistema está transcrevendo bonitinho. Com a doação que recebi recentemente, posso finalmente contratar algumas pessoas para fazer a revisão desses materiais, então, aos poucos, você vai ver que as transcrições anteriores estarão corrigidas, e esta está inclusa.

Obrigado!

No nosso episódio de hoje, o narrador está falando sobre uma decisão que ele está para tomar, ou seja, que ele vai tomar essa decisão a qualquer momento. E é uma decisão difícil, porque senão não seria um episódio, mas também porque uma pessoa tem que pensar muito bem, tanto na hora de abrir uma empresa, quanto na hora de fechar as portas. E o narrador utilizou essa expressão para falar fechar a empresa. Quando nós dizemos que um negócio fechou as portas, isso significa que ele deixou de funcionar, ele faliu, ou ele simplesmente parou. Muitas empresas antigas acabaram fechando as portas.

Nós pensávamos que essas empresas nunca fechariam as portas, mas elas fecharam, sim. Recentemente, nós tivemos aqui no Brasil as Casas Bahia. E, na Bahia especificamente, nós tínhamos uma loja, ou melhor, um grupo de lojas chamado Insinuante, que também fechou as portas. E o narrador está pensando em fechar as portas da empresa que ele tem. Que tipo de empresa ele tem?

Ele tem uma açaíteria. E a açaíteria é um tipo de negócio relativamente recente, acho que nos últimos 10 anos ficou muito popular. É uma loja que vende açaí. Açaí é uma fruta típica do norte do Brasil, é uma fruta de cor muito acentuada, né, uma cor roxa. E é uma comida muito saborosa, uma fruta muito saborosa, e normalmente as pessoas comem essa fruta quando vão para a academia, ou melhor, depois de ir para academia, e também quando elas querem se refrescar, porque normalmente nós comemos o açaí gelado.

Normalmente não é o açaí mesmo, é a polpa do açaí, que é aquela parte mais carnuda, A carne da fruta. Então, o narrador abriu uma açaíteria, que aqui em Salvador é muito popular, lá em Fortaleza também era muito popular, e eu acredito que no resto do Brasil também. Na verdade, alguns de meus alunos que moram fora do Brasil dizem que na cidade deles tem açaí, tipo ali em São Francisco, na Califórnia, em algumas cidades da Flórida, Os meus alunos já me falaram. Então, parece que o açaí é popular no mundo todo. O narrador disse que tomou a decisão de investir por alguns motivos.

Primeiro, porque tem sempre um calorão. E, quando tem um calorão, as pessoas querem se refrescar. E, para se refrescar, um açaí geladinho dá conta do recado. Além disso, o narrador diz que um grupo de clientes era muito fiel, e esse grupo de clientes era formado por marombas. E aqui nós temos algumas expressões interessantes.

A primeira delas é o calorão. E o calorão vem da palavra calor. É um calor muito intenso, é um calor muito forte. É o calor de Salvador no fim do ano, por exemplo. Aqui tem sempre um calorão.

E você pode falar que está fazendo um calorão ou apenas que está um calorão. Acho que um calorão seria, tipo, 30 graus ou acima. 30 graus Celsius. Em Fahrenheit, isso dá uns 85 graus Fahrenheit.

O contrário de calorão seria friozão. Vem da palavra frio e ganha um som de z com a letra z para facilitar a pronúncia. Então, nós dizemos: rapaz, aqui está um friozão! Ou: está um calorão! Aí, onde você mora agora, está fazendo um friozão?

Está fazendo um calorão? Ou está tudo bom? É uma maneira informal de dizer bom, né? Tá tudo bão.

O narrador disse também que um açaí geladinho dava conta do recado, ou seja, o açaí gelado conseguia refrescar o calorão. E quando nós dizemos que algo dá conta do recado, ou alguém dá conta do recado, isso significa que essa pessoa ou essa coisa consegue realizar uma tarefa, ou resolver um problema, ou satisfazer uma necessidade de maneira adequada. Então, um exemplo que eu posso dar para você é o seguinte: todos os anos nós precisamos fazer uma declaração de impostos, né? Tem que fazer a declaração do imposto para o governo. Muitas pessoas pedem um profissional para ajudar.

Pedem a ajuda de um profissional. Outras pessoas dão conta do recado sozinhas, ou seja, elas mesmas conseguem fazer a declaração de impostos sem a ajuda de ninguém. Um outro exemplo que eu posso dar para você é o seguinte: quando as pessoas se mudam, elas mudam de uma casa para outra ou de um apartamento para o outro, muitas vezes elas pedem a ajuda de uma empresa para fazer a mudança. Ou então elas pedem ajuda dos amigos, né? Elas dizem: Ei, pessoal, eu estou me mudando, bora lá dar uma ajuda, dar uma força.

Mas, se a mudança for pequena ou for para muito perto, muitas vezes as pessoas dão conta do recado sozinhas, elas não precisam de ajuda adicional.

E eu tenho certeza de que você precisa, às vezes, de ajuda com a gramática do português, mas, na maior parte do tempo, Você dá conta do recado. Ou, se você não puder, pede minha ajuda, porque eu dou conta do recado também, sou professor. E a outra expressão que o narrador utilizou foi a palavra maromba para falar do cliente, ou melhor, do grupo de clientes dele. Maromba é uma palavra muito informal e às vezes negativa para falar de uma pessoa que pratica musculação regularmente. Geralmente é uma pessoa que vai para academia todos os dias e ela tá lá levantando peso, e geralmente ela vai ficar com os braços muito fortes, né, o peitoral muito forte.

E muitos marombas que eu conheço não fazem exercício para as pernas, então eles ficam com os braços muito fortes e as pernas muito finas. Mas esse é o tipo de maromba que normalmente tem por aqui. Maromba também pode ser dito marombeiro. E geralmente são homens, mas também tem mulher marombeira, tá? Então, aqui a gente não faz distinção nem discriminação.

Todos os gêneros estão aí sendo marombeiros também. E o narrador diz que os negócios iam bem. Na verdade, ele diz que os negócios iam de vento em popa, até que ele observou um declínio nas vendas. E esse declínio veio devagarinho. Alguns clientes deixavam de ir, outras açaíterias estavam abrindo por perto, né?

Então tinha mais concorrência, tinha mais competição, e as coisas foram desandando. E o narrador percebeu que a empresa estava no buraco e ele precisava tirar a empresa do buraco. Aqui nós temos algumas boas expressões. A primeira delas é ir de vento em popa. Geralmente, a gente fala que um evento ou um acontecimento vai de vento em popa.

Se você me perguntar: Eli, como estão as aulas? Eu posso dizer: Elas estão indo muito bem. Mas eu também posso dizer que elas estão indo de vento em popa. E essa vem de uma expressão marinha, ou náutica, para ser mais exato. O barco tem a popa e o vento, quando bate no barco, faz o barco andar mais rápido.

Então, quando tem vento na popa do barco, o barco está indo. Se não tem vento, o barco não vai, ele para. E você pode falar isso também sobre projetos que você tenha. Um exemplo que eu te dou é o seguinte: a Joana mora fora do Brasil, ela não é brasileira. Mas ela tem uma ideia e um projeto de vir para o Brasil.

Todos os dias ela estuda um pouquinho de português. Nós podemos dizer, então, que os planos dela estão indo de vento em popa. Ela está estudando português, ela já comprou as passagens, ela já sabe quais são as cidades que ela vai visitar. Os planos de viagem dela para o Brasil estão indo de vento em popa. A outra expressão que o narrador utilizou, Na verdade, uma palavra apenas, foi o declínio.

E o declínio é uma palavra mais chique, geralmente utilizada quando a gente fala de saúde ou de economia. E é uma queda, é quando a coisa vai para baixo. Por exemplo, durante muitos anos, o centro da cidade de Fortaleza foi muito frequentado, tinha gente de manhã, de tarde e de noite. Mas, com o tempo, houve um declínio na frequência, no número de pessoas que ia para o centro, e agora, hoje, o centro está realmente bem abandonado. Antes tinha muito movimento, mas houve um declínio no movimento e acabou que ninguém mais vai para o centro de Fortaleza hoje.

Infelizmente é verdade, gente. Antigamente, quando eu era na década de 1990, quando eu frequentava o centro com a minha família, eu lembro que era muito movimentado, tinha gente o tempo todo. Já hoje, se você for no centro de Fortaleza, de dia, de tarde tem muita gente, mas de noite não tem ninguém. Então não vale muito a pena visitar o centro à noite porque houve um declínio muito grande, tanto na qualidade do centro, como também no movimento.

E nós também podemos falar de saúde. Uma pessoa pode estar bem de saúde, mas ela tem um declínio na saúde, ou então a saúde dela tem um declínio e ela fica doentinha.

E declínio vem do verbo declinar, mas geralmente é um verbo mais chique, custa R$10. Cada vez que você usar, você paga.

Declinar aqui geralmente significa recusar. Então, alguém me convida e diz: vamos para uma festa? E eu declino do convite. Mas aí fica para outra nota. E o narrador também disse que as coisas foram desandando.

E o verbo é desandar. Quando nós dizemos que algo desanda, isso significa que essa coisa começou a dar errado, começou a ter problema. Parou de funcionar do jeito esperado. Podemos falar de um processo, de uma situação, de um relacionamento, qualquer coisa que você perceba que pode piorar. Por exemplo, a minha viagem para a Alemanha foi muito boa, eu adorei logo no começo, pelo menos, mas depois de uns dias eu acabei comendo muita coisa que eu não deveria comer, e aí a viagem desandou.

Eu passei muitos dias como um rei no meu trono, sem sair de casa. Então, a viagem desandou quando eu comecei a comer demais.

Então, desandar significa parar de funcionar bem ou simplesmente piorar. E a última expressão que o narrador utilizou aqui foi que ele tem que tirar a empresa do buraco. E o buraco é um lugar onde as pessoas podem cair, ou então jogar coisas lá dentro, né? Um buraco, a pessoa tá andando e cai no buraco. E estar no buraco não é uma coisa boa.

Por isso que nós dizemos que quando alguém tá no buraco, ou aí uma empresa tá no buraco, significa que ela está numa situação muito difícil. Geralmente são problemas financeiros. E se for uma pessoa, a gente pode dizer que ela talvez esteja deprimida. E para tirar uma coisa do buraco, a gente precisa de muito esforço, porque a gente precisa tirar essa pessoa ou essa coisa de uma situação difícil, né, de uma dificuldade. Muitas pessoas inclusive acham que o Brasil está sempre no buraco por conta da política ou por conta da segurança.

Por algum motivo, as pessoas acham que o Brasil tá no buraco. E que esse buraco é muito fundo.

Aí, o narrador continua dizendo, ele continua falando um pouco mais do problema dele, ele dá explicação, dá uma explicação mais específica, que ele primeiro diz que tem muitas dívidas fiscais em aberto. Ele poderia declarar falência, ele poderia dizer: minha empresa morreu. Mas, ainda assim, ele precisaria pagar as dívidas. Ele tem encargos, ele tem multas, e mesmo que ele dissesse, mesmo que ele fechasse as portas, ele ainda precisaria falar com os cobradores. Os cobradores ficariam no pé do narrador, e o narrador não gosta dessa amolação dos cobradores.

E aqui nós temos algumas boas expressões. A primeira delas é a dívida. A dívida é o dinheiro que uma pessoa deve para alguém ou para alguma instituição. Então, se eu tenho dinheiro do banco e eu preciso pagar o banco, significa que eu tenho uma dívida com o banco. Uma dívida também pode ser uma obrigação que você tem para com alguém que te ajudou.

Por exemplo, No passado, eu precisava de dinheiro para poder estudar, fazer um curso, e um amigo meu me deu esse dinheiro. Eu paguei o meu amigo, mas ainda assim eu tenho uma dívida de gratidão, porque ele me ajudou em um momento de muita necessidade. É uma dívida de gratidão. Claro, eu não tenho nenhum amigo que tenha me ajudado assim, não precisei, mas eu sei que alguns dos meus amigos fariam isso. Se eu precisasse, e eu ficaria em dívida com os meus amigos.

Mas o narrador aqui disse que ele tinha dívidas em aberto. E quando você tem alguma coisa, alguma situação em aberto, isso significa que essa situação não foi resolvida, ela não foi concluída e nem paga. Quando a gente fala de uma dívida em aberto, Então, significa que você tem uma dívida que precisa ser paga. É muito comum a gente falar de contas em aberto, né? Você compra alguma coisa em um local e não paga, então a sua conta fica em aberto.

Também podemos falar de planos. Imagina só, no final de semana nós temos muitas opções. E aí o meu amigo me pergunta: E aí, Eli? O que nós vamos fazer no fim de semana? E eu digo para ele: olha, ainda está tudo em aberto.

A gente pode ir para o museu, pode ir para uma praia, pode ir para um show, tem tanta opção! Então, os planos ainda estão em aberto. Aí você me pergunta: Eli, tem uma expressão contrária disso? Tem, que é concluído ou fechado, depende da situação. A gente não diz em fechado.

Não, a gente diz só em aberto. Outra expressão que o narrador utilizou aqui, e essa é uma palavra mais específica, mais especializada, que é declarar falência. A falência de uma empresa é quando a empresa deixa de funcionar porque ela não tem mais condições financeiras de continuar. Muitas empresas grandes aqui no Brasil que trabalhavam, por exemplo, com brinquedos, com telefones fixos, né, aqueles telefones antigos. Elas declararam falência porque as pessoas pararam de consumir esses produtos.

E declarar falência é reconhecer em um processo na justiça que a empresa não consegue continuar funcionando e que ela não tem dinheiro para pagar nada. A falência é diferente de fechar as portas. Quando a empresa fecha as portas, ela deixa de funcionar, mas ela talvez ainda não tenha declarado falência. E existem leis muito específicas sobre a falência, tanto de indivíduos como de empresas. Então, isso eu vou deixar lá nas notas desse episódio para que você saiba um pouco mais sobre esse processo.

E De uma maneira figurada, nós também podemos dizer que a falência é o fracasso total de alguma coisa. Muitas pessoas falam hoje da falência moral das pessoas, que ninguém mais respeita nada. Às vezes, nós também podemos dizer que a falência da sociedade como um todo. Eu estou um pouco pessimista esses dias, então a gente pode falar da falência da sociedade.

Outra palavra específica que você vai ver nas notícias financeiras ou fiscais aqui do Brasil é o encargo. O encargo é outra palavra para uma obrigação ou uma dívida ou uma despesa que uma empresa tem ou que uma pessoa também tem. Geralmente, quando você compra alguma coisa importada, você recebe um documento dizendo quanto você pagou de encargo. Então, você pagou R$100, R$30 são de encargos e R$70 é o preço do produto. Como eu disse, é uma palavra muito específica.

Você não precisa aprender para usar, mas é bom saber para reconhecer, porque nas notícias você vai escutar isso o tempo todo. E o narrador disse que ele podia pagar as dívidas, ou melhor, ele podia declarar falência. Mas se ele não pagasse as dívidas, os cobradores ficariam no pé dele. E quando nós dizemos que alguém fica no pé de outra pessoa, isso significa que alguém insiste muito com uma pessoa, ela faz pressão, ela pressiona para que alguma coisa seja feita. Geralmente, os chefes que são chatos ficam muito no pé dos funcionários.

Eles ficam perguntando: E aí, acabou o projeto que a gente começou? Como é que está o progresso disso daí? Me explica, por favor. Ele tá ali toda hora pegando no pé ou fica no pé dessa pessoa.

E às vezes você precisa ficar no pé de alguém, porque senão essa pessoa não faz nada. É o caso de muitos pais com os seus filhos. Os filhos têm que fazer o exercício de casa. E aí os pais dizem: faça o seu exercício de casa, né, faça o seu dever de casa. E o filho diz: tá bom, e não faz.

Mas os pais ficam ali, ó, no pé dos seus filhos para toda hora relembrar os filhos e dizer: ei, tem que fazer o dever de casa! Ei, tem que fazer o dever de casa! Então isso significa que o pai ou a mãe está no, ou fica no pé de seu filho.

Ah, e uma coisa, a gente pode falar tanto ficar no pé quanto pegar no pé. Pegar no pé é um pouco diferente, eu tenho umas notas a respeito disso.

E os cobradores fazem isso mesmo, né? Quando uma pessoa deve dinheiro, o cobrador telefona e diz: Ei, quando é que tu vai pagar, hein? Não desse jeito, claro, mas eles vão ligar e dizer: Com licença, senhor, nós gostaríamos de saber quando será possível para você efetuar o pagamento da sua dívida. E aí fica ali no pé da pessoa toda hora enchendo o saco, enchendo o saco. E isso é chato, é uma perturbação, ou melhor, é uma amolação.

E a amolação é uma situação, ou então uma pessoa, que provoca irritação, que incomoda, que faz você perder a paciência. Pode ser qualquer coisa desagradável, chata. Então, muitas pessoas aqui no Brasil, muitos casais, têm o sogro e têm a sogra, que são os pais de alguém no casal. E geralmente os genros acham que as sogras são uma amolação. É tipo: Ih, minha sogra veio me visitar, aquela chata!

Que amolação!

E se você me perguntar: Qual é a diferença, então, entre amolação e perturbação? A amolação parece uma coisa mais insistente e mais intensa naquele momento. Uma perturbação pode ser mais psicológica, uma coisa mais forte. Então, eu diria que os meus vizinhos colocando música muito alta é uma amolação, mas eu diria que a violência que acontece nas ruas daqui da cidade são uma perturbação para nós. Não só uma amolação, não é só uma inconveniência, não.

É uma coisa grande.

Ah, e nós também temos o verbo amolar. Amolar tem muitos sentidos, mas um deles é justamente perturbar. E acho que a única pessoa que eu escutei usando o verbo amolar foi um professor meu. Quando eu era criança, eu estava perguntando, eu estava falando com os meus amigos, amigos. E aí eu fiquei falando com o professor, né?

Eu fiquei chamando a atenção do professor, ou eu fiquei no pé do professor. Professor, isso daqui! Professor, isso daqui! Aí o professor se virou para mim e disse: Ah, menino, não me amola, coisa! Não me amola, ou seja, não me encha o saco.

E depois o narrador fez uma coisa que muitas pessoas fazem, né? Que é pensar: nossa, eu devia ter feito outra coisa, estou arrependido. Porque é o caso aqui com o narrador. Ele diz que bem que devia ter ouvido o irmão dele, né? O irmão fez uma sugestão e a sugestão do irmão foi ter uma franquia educacional, uma franquia, uma escola talvez de franquia.

E O irmão dele disse que não precisava nem comprar, ou melhor, pagar toda uma franquia. Ele podia simplesmente arrendar uma franquia em vez de começar do zero. E tudo o que seria necessário era ter um fiador, conseguir um empréstimo no banco e pronto. Era um caminho certo e simples de trilhar. E aqui nós temos algumas boas expressões.

A primeira delas é uma estrutura, na verdade. Que é bem que eu devia. Normalmente, nós utilizamos bem que eu devia, bem que você devia, bem que você podia, e significa realmente eu devia. É uma maneira de enfatizar e dar uma sugestão enfática também. A sugestão geralmente é com o verbo poder.

A recomendação é com o verbo dever, mas, claro, não é 100% assim. Deixa eu te dar dois exemplos.

Imagina só, o João, ele não escutava muito os conselhos dos pais, né? Ele tinha ali os seus 20 anos e os pais dele diziam: João, João, é melhor você começar a economizar dinheiro hoje para a sua aposentadoria. No futuro, quando você tiver 60 anos, você vai ter dinheiro para se aposentar. E o João disse: Não, eu não vou me importar com isso, eu sou jovem. Mas o tempo passou, o João não se cuidou.

Quando completou 50 anos, ele não sabia quando se aposentaria. E aí ele disse: Ai, ai, ai, bem que eu devia ter escutado os meus pais. Hoje, Eu estou trabalhando feito um cachorro e não sei quando vou me aposentar. Eu devia ter escutado os meus pais. Ou: E bem que eu devia ter escutado os meus pais.

Então, você pergunta: qual é a diferença entre eu devia ter escutado e bem que eu devia ter escutado? A diferença é que bem que eu devia é muito enfática e dá até um tom de arrependimento. Ai, nossa, eu realmente não fiz isso, mas bem que eu devia. Bem que eu devia! E com o poder, geralmente, é uma sugestão, às vezes uma ordem disfarçada também, né?

Imagina só, a Maria é casada com o João, aquele mesmo João que não está aposentado, ela é casada com ele há vários anos e, às vezes, o João é um pouco preguiçoso e a Maria também está cansada. Aí, a Maria chega para o João e diz: Ah, João, bem que você podia limpar a casa, né? Tô tão cansada. Bem que você podia limpar a casa. E aqui, o que a Maria está fazendo é fazendo um pedido de uma maneira muito indireta e educada.

Ah, bem que você podia fazer isso, né? Bem que você podia limpar a casa. Eu tenho mais notas adicionais sobre esse episódio lá na nossa escola, sobre esse ponto também. A outra expressão que o narrador utilizou foi a franquia, e não é exatamente uma expressão, é uma palavra que significa um tipo de empresa. É um modelo de negócio em que uma empresa diferente recebe o direito de usar a marca de uma empresa maior.

Por exemplo, você sabe que existe McDonald's em todos os lugares, E cada loja específica do McDonald's tem um dono específico, tem um dono diferente. Então cada uma dessas são franquias. Então tem uma franquia do McDonald's em cada esquina. E aqui no Brasil tem muita franquia de escola de inglês também. Tem a Fiske, eu acho que ela ainda não fechou as portas.

Tem a Wizard, a Wizards também, que não fechou as portas ainda, é uma franquia muito popular. E também tem o Kumon, que é uma franquia japonesa de educação infantil, também muito popular. Quando uma pessoa tem franquia, essa pessoa é uma franqueada ou um franqueado. E nós também temos o verbo franquear.

O irmão do narrador diz que ele não precisava nem pagar a taxa da franquia, que geralmente o investimento na franquia é um investimento grande, né? Não tão grande quanto uma empresa própria, mas sim, ainda é um investimento grande. E aí o irmão do narrador até disse que ele podia arrendar um negócio em vez de começar do zero. E arrendar é ceder ou receber o direito de utilizar um negócio ou imóvel durante um período de tempo, né, um período determinado. É um tipo de aluguel.

Você pode arrendar um apartamento, por exemplo. Inclusive, é assim que se fala em Portugal, arrendar um apartamento. No Brasil a gente fala alugar um apartamento. Mas você pode arrendar um negócio. Por exemplo, existe um supermercado que funciona já, ele tem toda a estrutura, todos os produtos, mas o dono do supermercado, o dono atual, tá doente.

Ele quer parar de trabalhar. Então, em vez de vender o negócio, ele pode arrendar. E aí você quer morar no Brasil, você arrenda um supermercado agora, e você arrenda por 2 anos. Então, durante 2 anos, aquele supermercado é seu, e você pode administrar o supermercado e tirar todos os lucros durante 2 anos, mas você paga o arrendamento, que é o aluguel. Eu também tenho notas adicionais sobre essa palavra.

Ela não é tão comum no dia a dia, mas é uma palavra importante se você fizer negócios no Brasil. E o narrador disse, então, que era necessário apenas conseguir um fiador para pegar um empréstimo no banco. E o fiador— aqui nós precisamos de uma explicação um pouco longa— mas o fiador é uma pessoa que dá uma garantia de pagamento de um empréstimo, caso você não possa pagar o seu empréstimo. Geralmente, o fiador é uma pessoa de confiança de quem vai pegar o empréstimo. Vou te dar um exemplo: eu vou ao banco, eu sou o Eli, sou um professor, e que diabo é um professor?

É tipo nada. Então, o banco olha para mim e diz: não, você é muito pobre, você não tem condições de pagar o empréstimo de R$50 mil. Para comprar um apartamento. R$50 mil com apartamento tá barato, mas vamos lá. Então eu digo: nossa, eu sou muito pobre, o que eu posso fazer?

Aí eu ligo para minha amiga Joana e digo assim: Joana, você pode ser minha fiadora porque você tem um emprego ótimo, você ganha muito mais do que eu. Então a gente vai no banco e a Joana diz: se o Eliaquim não pagar a dívida dele, eu mesma pago. A Joana agora é minha fiadora, né? Eu tô correndo sério risco de perder a amizade dela, mas isso é o que um fiador faz.

E o irmão do narrador então disse que era um caminho certo a se trilhar. E quando você trilha um caminho, significa basicamente que você segue um caminho. Trilhar também pode ser usado de uma maneira figurada. Então, você pode trilhar uma carreira profissional, né? E você pode trilhar um caminho de iluminação espiritual, porque você faz meditação e coisas do tipo.

Então, para essas coisas mais uuuuh, a gente fala trilhar. Para uma coisa mais concreta, seguir ou percorrer. Inclusive, nós temos até a trilha, né? Para quem faz trilha na floresta, trilha na natureza, mas aí é uma coisa para outro momento. E o narrador não investiu, ele não investiu em uma empresa de educação, porque ele pensou que todo mundo precisa comer, mas ninguém precisa estudar.

E aí ele descobriu que não é verdade e que ele estava redondamente enganado. A minha expressão em português é: vai de novo, desgraça! Que significa: você devia, bem que você devia ter escutado seu irmão, porque ele estava redondamente enganado. E quando a gente está redondamente enganado, essa é uma expressão informal e enfática para dizer que uma pessoa está muito enganada, completamente enganada. Ela está redondamente enganada.

Mas se você escutou esse episódio até aqui, você não está redondamente enganado nem redondamente enganada. Significa que você sabe o que quer e está conseguindo o que precisa. Agora nós vamos ouvir o monólogo mais uma vez, a mesma velocidade de antes, mas agora teste a sua compreensão.

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