Ser

Jun 13, 2025

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Não faças nada, não queiras nada. Como assim?!

Como desmontar toda a programação incutida?!

Senta-te e espera é um acto de confiança e de muita ação. Ficar quieto o suficiente para escutar o que vem, para permitir a subtileza do gesto seguinte, permitir que venha a espontaneidade. Sossegar a mente que se quer adiantar.

Ficar é estar, permanecer no corpo. E isso é tanto, é tudo. Poder relaxar aí, deixar ir o controlo, permitir a curiosidade entrar.

Venha o que vier há recursos para lidar.

Ir a lugares escuros que contraem, que aceleram o batimento e provoca agitação como se todas as células se preparassem para fugir do corpo e deixar-me aqui sozinha 😅 é uma boa imagem, observar em direto a fuga a querer acontecer. A batalha viva dentro, o ataque também, a auto-destruição. E as legendas que surgem, “não devias estar aí”, a punição, a culpa, a vergonha, a rejeição, a exclusão.

E tu aí… por um lado a quereres livrar-te do turbilhão para não sentir, vamos fazer outra coisa para não lidar. Por outro a identificação, sou isto tudo, vou atolar-me na desgraçada que sou.

Participar e observar. Acrescentar e sustentar o espaço para que a onda se desenvolva, suba, desça e se tempere. Tu consegues. É o suporte que vou dando, mesmo que no momento não faça a mínima ideia do como.

E juntam-se os pontos, quando vou ao escuro mais luz se abre dentro para estar, mais relaxamento. Dou permissão para que tudo atravesse. Valido e aceito, valido e aceito.

Observo a importância de partilhar, da presença do outro para a regulação emocional, a necessidade de estar acompanhada para sair do fechamento e contração que os pontos escuros provocam.

Que proteção pode ser relaxar e sentir-me segura na relação. Traz ao corpo, à realidade e retira da confusão da mente que continua em loop a reproduzir as memórias repetitivas contrativas. Como novos estímulos e impulsos reescrevem novas histórias e sinapses.

Soltar e navegar no vazio que fica depois de deixar ir. Permitir a aventura sem querer encher o espaço.

Que a ação surge por si, sem que a busque ou provoque.

E isso liga-me à brincadeira. A inocência de brincar, de improvisar, de inventar. De criar só porque sim, sem querer chegar a lado nenhum a não ser experimentar, explorar, descobrir.

Não há intenção nenhuma a não ser Ser!

E como brincar é um assunto cada vez mais sério, por nos termos afastado tanto do que é natural em nós.

E agora autorizo-me, dou permissão, consinto que todas as partes possam existir. Valido-as, e calo as vozes que lá atrás foram dizendo não podes, fica mal, sê séria, porta-te bem, olha a postura, não incomodes, não faças barulho, não levantes ondas e tantas tantas formas que foram criando uma formatação e afastando-me da essência.

E olho para o inglês “to be” e implica ação, Ser. É um contínuo, é verbo. É matéria em contínua ação. O verbo que se fez carne. É um tornar-me em constante movimento, sem definição.

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