Segura

Sep 17, 2025

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Gosto dos trocadilhos. Da riqueza com que as palavras podem significar. Segura do acto de segurar, um objecto, um peso, agarrar portanto, manter na posição. E por outro prisma o sentir-se segura, acolhida, suportada. Sentir que alguém está lá a segurar e agarrar para que não se caia ao chão e não se desmorone ou quebre.

Gosto quando as palavras me param e me fazem olhar para eles sobre mais ângulos… certamente não se esgotaria aqui se lhe desse mais voltas 😅 Mas para já são estas que me vêm.

Como gosto de observar, começo a deambular pelas palavras nesta tela e chega uma amiga na esplanada que mete em pausa a criação. Recebemo-nos com alegria e observo os temas que emergem, família. O quão marcados somos pela biografia. As feridas expostas, as invasões que nos fazem afastar, os outros de fora que atraímos e que tentam também invadir, repetindo quiçá as histórias que continuamos a perpetuar. Os limites que sempre são forçados fazendo-nos explodir o grito de guerra “NÃO”.

E hoje o exercício era praticar o não, observar onde não coloco limites, onde me perco nas águas dos outros e me autoabandono.

Observo as histórias dos outros que de mim sempre falam, ou não seria a ressonância algo tão bonito e intrínseco.

Mais outra chamada, e um eu atendo. Interessante como a vida sempre chama, e observar que chamadas ando a atender 😅

Amiga e irmã de caminho, tantas vezes ligamos, só porque sim, para saber uma da outra… e a conversa sempre corre para lugares surpresa. E despertamos novas perguntas e consciência uma na outra. Pessoas âncora, onde posso ser, destapar-me e sentir que há espaço, tempo e lugar. Nem sempre agradável, mas deveras necessário ser destapada e poder cair e abrir.

“Ninguém larga a mão” é uma expressão que às vezes sai, quando sentimos que há uma grande tribo que caminha junta no despertar, no caminhar. E às vezes fisicamente largamos essas mãos e também isso é segurar.

Sempre é segurar mesmo que pareça não estar segura. De que outra poderia descobrir que estou segura em mim, se não fosse devolvida a mim, se o exterior não me falhasse?!

Esta manhã noutra chamada uma amiga revelava a insegurança de viajar sozinha, de andar nos transportes públicos, os medos, a ansiedade que agora estava a nascer e que a idade parece estar a trazer.

Já me apanhei tantas vezes no medo de me perder e não saber como apanhar e andar nos transportes, não saber onde sair 😅 e é uma dinâmica que continua a aparecer quando viajo fora do país sozinha. Tudo para que tenha a oportunidade de me fazer acompanhar de mim e descobrir que estou segura. Que a mente adora fazer filmes e desgastar-se atempadamente. Na vida real, cá fora sempre correu tudo bem ☺️.

Fiz por me segurar, por pedir ajuda quando isso me permitia sentir mais segura. E habitar melhor este corpo, na presença, a contemplar o presente do momento.

Quão difícil é habitar o fácil, o que não exige esforço?!

Quantas lealdades habitam o nosso corpo. E quanto do nosso bebé e criança que lá atrás não se sentiu segura e acolhida na sua necessidade continua viva, a responder às situações. A fugir do sentir, porque lá atrás não houve o espaço e o abraço que desse essa segurança. Que nos dissesse “podes sentir tudo, é normal, estou aqui para ti. Como te posso apoiar melhor? Podes relaxar, estou aqui contigo, vamos juntas”

Agora adulta sigo aprendendo a cuidar melhor, a ser âncora e acompanhar-me no que está, inclusive nas fugas e aflições que o corpo sempre denuncia. Vou apoiando-me nas pessoas âncora também, e elas aparecem tantas vezes sem que eu faça o pedido, ou nem me dê conta que estava a precisar. E essa é a magia, a vida sempre segura e manda os anjinhos, possa eu estar em casa para recebê-los.

Continuo a segurar-me, mesmo nos dias mais turbulentos e a descobrir novos espaços seguros dentro de mim 😎

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