
O que se move? Quando observo o movimento dentro e fora?!
Quando aquela que permanece no centro está quieta, sentindo as sensações, a verticalidade e a raiz. Observa o rio que corre quando o movimento a impacta e acompanha. Está presente no que está a acontecer e não há mais lugar onde ir a não ser estar aí, presente.
Tudo vibra, tudo está sempre a mover-se, mesmo que permaneça quieta. E ficar em mim permite-me dar-me conta. Não me perco no movimento ainda que o movimento me atravesse e suceda.
E de rompante sinto a aceleração do outro no carro, que expressa a sua pressa, e já estava atrasado e venho reclamando e porque tenho de me perdoar?
Recebo em mim o que também reconheço. A agitação e inquietação tantas vezes mascarada na agenda mundana dos afazeres.
Não sou eu é a vida que me traz isto, se não fosse isso seria… E assim nos enleamos nas narrativas, lá fora. Não é isto também uma forma de nos dissociarmos?! 🤔
O que terei de perdoar em mim?! Quando já tenho disciplinas de autocuidado?! E essa é sempre uma boa questão. Não somos uma obra feita. Tudo está em permanente evolução.
Em cada segundo há uma mudança, movimento, criação com o respetivo caos e ordem. Como posso fixar uma verdade?!
Aproveitei a mensagem, o que tenho de perdoar em mim?! E pus-me à escuta. Há pontos tão cegos, que apanho boleias nos espelhos dos outros.
Olha ali a autoexigência, quando me puno por falhar na disciplina do autocuidado. Perverso, como o autocuidado pode significar castigo também, e as linhas são tão ténues, da resistência e do mau trato.
Quando não sei o que fazer com a minha pressa interna e uso essa agitação para me ocupar com mil e uma coisas e assim ocupada anestesio por momentos essa energia, ou crio dormências e inércias para me desligar da agitação.
Tudo para não sentir. É que sentir pode ser demasiado, e algures, lá atrás, foi demasiado. Então, aprendo a desligar botões.
E quando ficar só comigo pode ser complicado posso sempre pedir ajuda. Para me derramar, abrir espaço para contactar a dor que dói. E tomar conta.
Mas o outro disse que ia ficar comigo para sempre. Que o meu problema era o problema dele… como assim escolheu partir e me deixou novamente abandonada?!
Sempre somos devolvidos à nossa ferida. E não é para ser uma sina horrível e dramática. É a vida a querer-nos bem. A dizer que temos os recursos para cuidar, para assumirmos as rédeas. Faz-te cargo de ti. Não entregues o teu poder aos outros.
E se por seres Tu, corres o risco de caminhar só, perderes aquelas pessoas, amores o que for, é só a vida a realinhar-te para que entrem outras mais alinhadas com a tua energia de momento.
Não há nada a que agarrar a não ser tu, de ti mesm@.
Nada a ter e tudo a ser. E se a minha expressão for agressiva, bruta, entusiasta o que for, sou só eu a ser momento a momento.
Aprender a expressar e traduzir os movimentos e sensações que vêm cá de dentro. Aprender a escutar melhor, a aprofundar os gatilhos que me disparam.
São só gritos que querem sair e lá atrás os abafei e reprimi. Hoje estou a aprender a amar-me melhor, isso implica ver, escuta e validar o que se mostra.
E se eu aceito faço a paz, mesmo que o outro não valide, não entenda, não aceite. Não se trata do outro, trata-se de mim, de como me acolho e acompanho com o que há.
Cada vez que me encolho, me reduzo para caber o meu ser chora por dentro, enraivece-se e quer exteriorizar isso, e quando ela raiva, vem cega, quer destruir e aniquilar o alvo que lhe despertou a ira. E posso permitir-me sentir isso tudo e acomodar-me com essa informação. Dou-me espaço para ser mais e expressar mais a vontade que mora aqui.
Faço por me acordar mais, para que me possa apanhar nos desvios, nas dormências e no deixa andar. E peço-me perdão pelas vezes que me deixo ir no arrastão e não me atendo.
Escuto o movimento e olho de frente para a agitação para que ela possa falar. E digo-lhe eu ouço-te.
