Fazer-se cargo

Oct 11, 2026

Revejo-me nas histórias do outro. Os espelhos que me desagradam e denunciam os meus pontos cegos.

Sempre há a criança dentro que espera que tomem conta. Nestes dias tenho observado a expressão de necessidades dos que me rodeiam. E alguém comunicava e fazia o pedido que tomassem duche até às 21h30 para não lhe incomodarem o descanso, dada a sua sensibilidade ao ruído. E no meio deste pedido vinha a sugestão que tomassem banho de manhã.

Não foi óbvio para mim a subtileza do pedido, ou seja, para que eu fique bem dou sugestões aos outros para garantir que possam haver outras possibilidades que não colidam com a minha necessidade.

Perante esta observação de fora, claro que me posso ver a interferir noutras situações para garantir que a minha necessidade é atendida.

E estar em grupo sobressai mais a diversidade de diferenças e necessidades de cada um. Difícil de atender a todas, claro. Como cada um pode encontrar a responsabilidade de cuidar de si, sem delegar no outro?!

No outro dia sonhei com o limite. E estava a marcá-los no sonho e desperto abraçada a mim. Ter a minha fronteira bem definida. Até onde?!

Somos 19. Vou rodando, conhecendo a gente. E respeitando o meu silêncio, o meu espaço. Já não preciso de estar na sala. Fazer-me presente para ser vista. Estou no meu lugar. Ocupo-me de mim. E vejo o que acontece. O que preciso.

Acima de tudo, tomo conta. Responsabilizo-me e cuido.

Posso expressar o que me incomoda, mas isso não implica que os outros tenham de me cuidar.

Agora eu posso!

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