Espera

Dec 17, 2025

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Senta-se e espera ou pára e observa.

Às vezes observo-me no comportamento dos outros que me denunciam. Outras vou ficando e observando.

Ancorando-me neste corpo para que possa escutar o que ele tem para me dizer. Os nós, as tensões, onde a energia se concentra em vez de seguir o seu fluxo natural. O que contenho, o que o corpo supressa, as áreas que vão acendendo luzes como pop ups, indicando a raiz. Ele sempre vai identificando o roteiro, queira eu estar quieta o suficiente para olhar e escutar. E vou-me dando autorização para permitir sentir, para atravessar o que se mostra. Retirando a necessidade de justificar, comparar entre o passado e o futuro, entre mim e ti. Posso sentir o que aparece, mesmo sem motivo, sem contexto. Dar permissão para ser o que é, é aceitar com compaixão e amor este grande ser, no seu movimento e expressão autêntica.

Vou apanhando as velhas histórias que comprometeram a autenticidade em prol de pertencer. E vou regressando-me, aprendendo a viver e a responder, quebrando os padrões reativos ao qual o coro se habitou para sobreviver.

E aos poucos vou regressando-me. Descobrindo o grito, a dança, a voz, a palavra, a respiração, a pausa. Percebo que tenho tempo, que não há pressa, e isso permite-me contemplar a vida de lugares mais presentes, mais em contacto com os sentidos, com o corpo elemento vivo. E se abro os olhos à relação dentro, tudo ao redor se ativa na grande relação que é criação, natureza e humana.

Vou convidando-me à espera, para que sinta, para que dê lugar ao corpo, me ancore em vez de entregar o poder à mente para responder de imediato.

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