Escuta Profunda

Oct 06, 2026

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Escuta profunda, soa melhor em inglês, deep listening 😅

Aprendemos mais a escutar do que a falar. E sempre volto isso para a relação com os demais. E inspiro-me bastante pelo que recebo de fora, o quanto me abre a perceção, me quebra definições e ideias. Amplia-me, sem dúvida.

Também faço o exercício de como o meu corpo escuta o outro, se abre, fecha. Porém, hoje detive-me na escuta de mim.

Estive o dia todo profundamente cansada. E fui escutando o ambiente, os outros. E obtendo a mesma informação. A maioria cansada, a pedir mais descanso e pausas. Que tinha sido muita informação. Logística, intelectual. Senti-me soberbada. E procurei atender-me. Com sol, pé descalço na terra (grounding), muita água. Retirar-me inclusive e descansar na posição deitada. Foco na respiração.

E reparei que fazer uso destes recursos cumpria a função de acalmar as sensações, aliviá-las até. Trazer-me para a presença, relaxar, até que resolvi entrar. Vou ficar a sentir o que há, sem pressa, sem querer melhorar, reduzir, acalmar. Apenas acompanhar o que há, ficar. Apercebi que me abracei, nesta necessidade de me conter.

E sem pressa, sem lugar nenhum onde ir pude ficar. O peso acalmou. Pude respeitar o cansaço, dizer-lhe sim. Sem exagerá-lo nem reduzi-lo.

Com respeito por mim, poder regressar ao grupo, jantar. Dar-me o descanso necessário nas interações, nos silêncios. Não forçando nenhuma interação, apenas ficar disponível para o que veio. E pude descansar a falar português, comer em silêncio. Receber o carinho de quem estava presente e retirar-me.

E uma das reflexões do dia ao expressar a minha necessidade por menos informação intelectual e mental, muita explicação sobre as atividades seguintes. Percebi que para mim isso é ruído e coloca a minha mente a pensar sobre o futuro porque lhe deram “food for thought” 🤪. Partilhei a sugestão para o grupo de não o fazerem a partir desta minha necessidade individual e particular. E recebi a devolução de que todos somos muito diferentes, com necessidades diversas. Difícil satisfazer a todos. Completamente de acordo.

E receber isso fez-me sentir egoísta pela sugestão dada, como que arrependida por expressar a minha opinião. E isso foi ouro para mim. Fez-me contactar com a minha voz e honestidade comigo, de estar presente para mim e acolher-me no que é necessidade para mim, mesmo que mais ninguém concorde ou valide. Faço-me responsável por mim.

Agora que sou adulta tomo conta e acolho-me. Não preciso de encolher-me para caber, nem que concordem comigo ou satisfaçam aquilo que é uma necessidade minha. Eu faço-o por mim, com amor e gentileza.

E essa é também escuta profunda. De como respondo ao que escuto, que botões se desapertam e apertam em mim.

E vou tendo a ousadia e a coragem de ficar, perante as vozes dissonantes. De me afirmar perante o que me faz bem para o meu Sim e o meu Não.

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