E se a guerra for um pedido de paz?!

E se a guerra for um pedido de paz?!

May 20, 2025

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Hoje um amigo perguntou-me se tinha algum texto sobre a Paz. E na minha percepção de momento foi perguntar a que paz te referes?

E ele responde-me, “a guerra não é normal e nem a podemos aceitar como normal”.

Ok. Percebia então o pedido. Mas como falar da Paz sem falar da Guerra?

E como falar da ordem geral das coisas, do coletivo sem olhar o individual?!

E dei por mim a escrever, a refletir, a escrever e a deixar sair as palavras…

Pois a guerra é sempre o reflexo da relação que levamos dentro connosco. Da falta de amor, de olhar, toque, compreensão e todos e cada um tem a sua quota parte de falta, ausência e carência.

Somos pedintes e vamos para fora mendigar da pior forma, com lutas de poder, competição. Queremos sobrepormo-nos! E usamos a prepotência, a arrogância na ilusão de assim sermos vistos e considerados. Quanta guerra. Quantas costas voltadas uns para os outros, a revelar o tamanho da ferida que transportamos dentro.

Como dizer para parar a Guerra e fazer a Paz, se estamos todos de ferida escancarada e aberta. É que depois manifestamo-nos pela Paz revelando a outra face, a revolta que denuncia a raiva e que chama uns de bons e outros de maus, que defende a vítima e acusa o perpetrador… quando são ambas as faces da mesma moeda.

Fazer a Paz é abrir o coração e receber dentro do peito todas as partes, sem querer expulsar nenhuma. Abraçar e dizer és meu irmão também, não importa o credo, país, raça. Conseguimos incluir todos sem distinção?! Esse é o caminho, dar a mão. Eu sou tu, tu és eu.

Eu sou, porque tu existes, diz o Ubuntu!

A guerra tem de parar. A da comparação, do julgamento e exclusão. Escolho fazer a paz em primeiro lugar comigo para poder fazer melhor a paz contigo.

Parece utópico?! Não de todo. Dá trabalho e muito, assumir a responsabilidade momento a momento por tudo o que sou, pela vida, olhar e curar os traumas que carrego. E olhar dói. Atravessar com carinho e amor o que dói é fazer a Paz. É escolher ficar e acompanhar.

Não posso falar do coletivo, sem antes tratar do individual e singular.

É trabalho de consciência, de desenvolvimento do ser. Se dentro temos dificuldade em olhar e assumir que existe conflito e guerra dentro e parar para olhar e tratar… como tratar o fora?!

Queres mudar o homem? “Sê a mudança que queres ver no mundo”, já dizia Ghandi.

E o que vemos na realidade? Estratégia de sobrevivência ao mais alto nível. Lavamos as mãos e sentados no sofá assistimos ao que nos passa na tv e vamos tomando partido, os maus e bons, de acordo com que os outros mastigam para nós. E assim assumimos posições, parecemos sábios e assustados com o medo que nos impõem. E continuamos de braços cruzados, sem nada fazer por nós, quanto mais pelos outros… a consumir excessivamente, a alimentar as guerras dos outros com o que consumimos e a ficar cada vez mais doentes.

A guerra não é normal, mas cada vez mais a vejo normalizada nos comícios políticos, no futebol, nas redes sociais quando ataco o outro por pensar e ser diferente de mim, na forma como o país é governado e percebo o alerta que nos está a ser dado. É necessária saúde, equilíbrio para restabelecer a paz.

E sinto a urgência de mais comunidade, mais abraços, mais choro conjunto daquilo que dói para que possamos ir libertando e relaxando o corpo em vez de nos atacarmos. É urgente o Amor e Compaixão para que venha a Paz.

Na verdade é esse o pedido, estamos sedentos de amor e colo e não sabemos como pedir. Como é que uma criança que precisa de atenção faz?! Chora, berra, esperneia, faz birra, tem ataques de raiva… usa o seu instinto primário para obter o que precisa.

Estamos num corpo de adulto com uma criança carente a fazer isso tudo e a desencadear este caos mundial. É brutal e não há uma fórmula mágica, há caminho por fazer.

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