Comunidade

Sep 10, 2026

image

Este tem sido um ano de viagem pelo mundo das comunidades. Comecei na Colômbia, no El Juego, uma comunidade de 10 anos que começou a construir o seu lugar há 6 anos no meio da montanha. Quatro meses aí também a viver em comunidade.

Sempre fui curiosa de como é isto de viver em com a unidade ou comum unidade. Gosto de brincar com as palavras e ver os vários significados. É algo que me atrai e me repele em simultâneo. Reconheço que precisamos de outros para crescer, para sermos suportados e tornar a caminhada mais fácil. É a família maior que escolhemos para ser amparo, para nos denunciar nos pontos cegos. E tudo!

Como se dança entre este encontro de ir ao outro e vir ao centro, ser singular no coletivo?! Sempre foram questões que me fazem olhar e refletir.

Na experiência percebi que nem sempre coincidimos e que está tudo bem. Temos necessidades e visões distintas e como agregar e incluir isso, sem termos de concordar. Como negociamos para conviver num lugar comum. Como nos atrevemos a experimentar o novo e diferente.

Não encontrei todas as respostas, ainda trouxe mais perguntas. Percebi que há encontros que se fazem em que os opostos se revelam e nos aproximam, como há várias tonalidades da mesma ferida e do amor. Abrir espaço para acolher mais e mais.

Participei de um festival e encontro onde senti comunidade e um profundo respeito pela singularidade de cada ser, e aí nessa vibração o corpo sente que pode descansar, porque sente lugar seguro.

E nas últimas semanas andei bisbilhotando outras comunidades, Tamera, com uma infraestrutura brutal, trabalho de 30 anos fantástico, lagoas artificiais criadas por eles, sistema de energia solar e biogás à base de compostagem e todo um sistema de organização montado muito eficaz. Uma aldeia no seu sentido literal e devidamente reconhecida como tal. Porém senti falta de corações abertos, senti tensão e algum cansaço. Estão em transição e também isso se sente.

Acabei por visitar a comunidade de Mooji, habitada por ele e pela sua equipa de 60/80 pessoas e um lugar que recebe visitantes. Aqui a visão é deste guru e dos seus ensinamentos, está bem definida a cultura desta comunidade e o lugar é de contemplação. E sente-se vivamente isso. Automaticamente sentes-te em silêncio e a contemplar. É a vibração daquela terra e espaço. É um lugar de oração.

Chego a casa e vou logo de saída para outro festival de família e comunidade para experienciar estes valores de ver e receber o outro tal como é.

Sai o tema para reflexão: o que é isto de construir comunidade? Quais os princípios base, o que é necessário para construí-la e como ser sustentável.

Também este workshop vem embrulhar o vivido nestes últimos dias e chamar-me à reflexão do vivido até aqui.

E saio com a expansão do conceito comunidade para além de um lugar físico construído para o efeito. Aliás estar num lugar com pessoas, seja cidade, aldeia, vila, país, continente, mundo já nos coloca em comunidade, quer tenhamos isso mais ou menos presente.

Sinto que estamos a recordar este princípio de comunidade. De realmente percebermos que já somos comunidade. Em primeiro dentro, como nos relacionamos com as várias comunidades que vivem no nosso corpo, como colaboramos para que este sistema funcione em sintonia, corpo, mente, emoções, energia.

Como atendemos a esta comunidade viva que somos e como nos relacionamos com a que se estende para além de nós.

A reflexão de quem sempre cresceu em comunidade e agora estando lá sentir solidão. Que agora é a fase de ser o seu centro e se acolher com o que se mostra. Contar primeiro consigo e cheia de si então ir à comunidade ser e partilhar.

A qualidade da relação é variável e impermanente. E também se pode construir com tudo isso. Nem sempre a harmonia é ordem e caos desequilíbrio.

Tudo são recursos a favor da vida. Sendo a morte é parte da Vida!

Sigo observando e aprendendo com o que se vai revelando.

Gefällt dir dieser Beitrag?

Kaufe Cláudia, Clai _ Bailarina Cósmica einen Kaffee

Mehr von Cláudia, Clai _ Bailarina Cósmica