Quão difícil é sustentar um espaço de dor. Quão iletrados somos e quão fácil é julgamos.
Dou por mim a observar alguém que está em luto e dor. E como me identifico, é um lugar que bem conheço, ainda que as narrativas possam ser distintas é-me familiar.
E claro que estar em carne viva torna cada toque, cada contacto ainda mais doloroso. E a sobrevivência faz reagir para proteger. Estado alerta máximo, tudo pode ser potencial agressão.
Porém, o outro não tem de levar com a rigidez e rispidez do ferido. Estar ferido não lhe dá direitos.
Porém como olhamos nós para o ferido? Coitado! Evitamos responder mal para não piorar a situação e contornamos com uma falsa diplomacia e até honestidade. Rotulamos, distanciamos. E na verdade, ficamos amedrontados com a dor do outro, como se pudéssemos ser contagiados.
Se uma pessoa está assim em carne viva não deveria vir para o grupo. Como se só a harmonia, o agradável fosse bem vindo. Olhar para o que me provoca desconforto e para o que me faz querer escapar continua a desafiar-me.
E quando posso estar como observadora na plateia a observar o movimento do grupo, a sentir ambos os lados e a permitir-me ser afectada.
Por momentos sobe-me a vontade de expor o que vai sucedendo nos bastidores, os burburinhos e abrir para o grupo, que estamos sentindo? O que queremos expressar?
Que riquezas são estas aqui em cima? Porque me incomoda o comportamento do outro?
Onde não estou a colocar os meus limites?
Onde quero ter razão?
Onde me quero livrar da tensão e por isso resolver, encontrar soluções?
Encontro-me muito aí, solver maker para terminar a tensão. Não me encanta tomar partidos, quando tudo é bem mais complexo. Fazer suposições quando não tenho a informação toda e gastar energia a falar ou a tentar imaginar o outro…. Demasiado para mim!
Quero ocupar-me de mim! O que me traz esta situação?! Empatia pela dor. E limites!
Há críticas, queixas que não aceito! E essa barreira é saudável. Não tomo para mim o que não é meu.
Assim como posso acolher o outro onde está, sem ter de me excluir. E expressar-me.
O que aprendo com o não expresso, com o que não entendo! Como escuto?!
Foi lindo escutar textos em línguas tão diferentes, sem que entendesse o que estavam a dizer. Sentir presença e escuta. Não ter a necessidade de ser compreendida ou compreender. E receber a melodia, a sensação que chegava ao meu corpo.
E isso também recebo nos ecos da relação humana.
