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Oct 14, 2026

Quão difícil é sustentar um espaço de dor. Quão iletrados somos e quão fácil é julgamos.

Dou por mim a observar alguém que está em luto e dor. E como me identifico, é um lugar que bem conheço, ainda que as narrativas possam ser distintas é-me familiar.

E claro que estar em carne viva torna cada toque, cada contacto ainda mais doloroso. E a sobrevivência faz reagir para proteger. Estado alerta máximo, tudo pode ser potencial agressão.

Porém, o outro não tem de levar com a rigidez e rispidez do ferido. Estar ferido não lhe dá direitos.

Porém como olhamos nós para o ferido? Coitado! Evitamos responder mal para não piorar a situação e contornamos com uma falsa diplomacia e até honestidade. Rotulamos, distanciamos. E na verdade, ficamos amedrontados com a dor do outro, como se pudéssemos ser contagiados.

Se uma pessoa está assim em carne viva não deveria vir para o grupo. Como se só a harmonia, o agradável fosse bem vindo. Olhar para o que me provoca desconforto e para o que me faz querer escapar continua a desafiar-me.

E quando posso estar como observadora na plateia a observar o movimento do grupo, a sentir ambos os lados e a permitir-me ser afectada.

Por momentos sobe-me a vontade de expor o que vai sucedendo nos bastidores, os burburinhos e abrir para o grupo, que estamos sentindo? O que queremos expressar?

Que riquezas são estas aqui em cima? Porque me incomoda o comportamento do outro?

Onde não estou a colocar os meus limites?

Onde quero ter razão?

Onde me quero livrar da tensão e por isso resolver, encontrar soluções?

Encontro-me muito aí, solver maker para terminar a tensão. Não me encanta tomar partidos, quando tudo é bem mais complexo. Fazer suposições quando não tenho a informação toda e gastar energia a falar ou a tentar imaginar o outro…. Demasiado para mim!

Quero ocupar-me de mim! O que me traz esta situação?! Empatia pela dor. E limites!

Há críticas, queixas que não aceito! E essa barreira é saudável. Não tomo para mim o que não é meu.

Assim como posso acolher o outro onde está, sem ter de me excluir. E expressar-me.

O que aprendo com o não expresso, com o que não entendo! Como escuto?!

Foi lindo escutar textos em línguas tão diferentes, sem que entendesse o que estavam a dizer. Sentir presença e escuta. Não ter a necessidade de ser compreendida ou compreender. E receber a melodia, a sensação que chegava ao meu corpo.

E isso também recebo nos ecos da relação humana.

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