
Grita no silêncio da cidade adormecida,
Onde cada muro calado é uma folha por rasgar.
A tua voz, crua e urgente,
Faz eco entre becos grafitados de saudade.
Grita com os pés no asfalto gasto,
Com a pele marcada em tinta e em convicção.
Não há polícia que cale
O trovão que acorda corações em combustão.
Grita com guitarras distorcidas,
Com cartazes colados à pressa e à fé.
Cada verso teu é granada lírica,
Cada gesto, uma declaração que não cede nem se revê.
Grita, porque gritar é existir,
É cuspir na cara da norma cinzenta.
Que a tua alma rebelde, sem freio e sem verniz,
Seja a centelha que a noite acalenta.
Grita como quem ama com raiva,
Como quem dança entre fogo e papel.
Se o mundo te quer dócil, decorativo
Oferece-lhe um grito e um painel.
Grita.
Porque é no grito que se escreve a liberdade.
E na tua voz,
corre o punk como se fosse eternidade.
