Há um discurso que se repete ciclicamente em certos setores da esquerda portuguesa: a ideia de que os emigrantes “abandonaram o país”, que “não deviam votar porque já não vivem cá”, e que as remessas que enviam “não têm importância económica”. É um discurso tão injusto quanto revelador. Revela incompreensão económica, desconforto político e, em alguns casos, uma certa inveja mal disfarçada da coragem de quem decidiu procurar uma vida melhor.
🇵🇹 1. Emigrar não é virar costas ao país, é recusar viver de costas para a dignidade
A narrativa de que os emigrantes “fogem” é profundamente desonesta. Fogem de quê? Fogem de salários que não permitem viver, de carreiras estagnadas, de oportunidades que nunca chegam. Fogem de um país que lhes pede sacrifícios, mas raramente lhes oferece condições para prosperar.
E, ironicamente, muitos dos que criticam a emigração são os mesmos que nunca tiveram a coragem de arriscar nada.
💶 2. As remessas são um dos pilares económicos de Portugal
É extraordinário como alguns desvalorizam aquilo que mantém vivas milhares de famílias portuguesas.
As remessas:
entram diretamente na economia real
sustentam idosos
pagam rendas, educação e saúde
financiam pequenas obras e negócios
estabilizam regiões inteiras do país
São verbas constantes, fiáveis e anticíclicas, algo que nem o turismo consegue garantir.
Desvalorizar isto é desvalorizar Portugal.
🗳️ 3. O desconforto político: os emigrantes votam “mal”
Aqui chegamos ao ponto que muitos não admitem em público: há quem queira retirar o direito de voto aos emigrantes porque eles votam de forma diferente.
Porque votam mais à direita. Porque não alinham com discursos ideológicos. Porque conhecem outros modelos de sociedade e recusam narrativas fechadas. Porque vivem em países onde o mérito, o trabalho e a responsabilidade contam.
É mais fácil dizer “não deviam votar” do que aceitar que a democracia inclui todos, mesmo os que discordam.
🌍 4. A esquerda que critica os emigrantes esquece-se de uma coisa essencial
Os emigrantes são:
trabalhadores
contribuintes
investidores
embaixadores culturais
e, acima de tudo, portugueses
E continuam a sê-lo mesmo quando o país não lhes deu condições para ficar.
🧭 5. Portugal precisa de agradecer, não de apontar o dedo
A diáspora portuguesa é uma das maiores forças do país. É uma rede global de talento, de trabalho e de amor à terra natal. São milhões de pessoas que enviam dinheiro, mantêm tradições, investem em casas, apoiam famílias e regressam sempre que podem.
Portugal não seria o mesmo sem eles. E certamente seria muito pior sem as remessas que tantos insistem em desvalorizar.
