As notícias também alimentam os incêndio ...

As notícias também alimentam os incêndios?

Aug 17, 2025

📰 As notícias também alimentam os incêndios?

Todos os verões Portugal arde. E todos os verões os telejornais abrem com imagens de chamas gigantes, helicópteros a lançar água e repórteres ofegantes em direto. O país inteiro cola-se ao ecrã. Mas será que este espetáculo mediático ajuda… ou agrava o problema?

🔥 O palco que o incendiário deseja

Grande parte dos incêndios começa por mão humana. Alguns são criminosos, outros fruto de negligência. Mas há ainda os piromaníacos — indivíduos que retiram prazer e excitação do fogo.

Ora, quando cada incêndio é transmitido em direto, com helicópteros, ministros e jornalistas no terreno, o incendiário percebe que um fósforo seu consegue parar o país. Ganha notoriedade. Sente-se poderoso. E isso pode incentivá-lo a repetir.

🔥 O efeito de contágio

A psicologia já estudou este fenómeno noutros contextos: crimes violentos e até suicídios aumentam quando são intensamente noticiados. É o chamado efeito copycat.

Com os incêndios, o mecanismo é semelhante: mostrar repetidamente imagens dramáticas pode inspirar outros a imitar.

🔥 O banho de adrenalina

Para o incendiário, não é só o fogo em si — é o espetáculo à volta. Ver bombeiros a correr, helicópteros a sobrevoar, políticos a dar conferências. É um banho de adrenalina que os media prolongam.

🔥 Uma sociedade em pânico

Do lado da população, o resultado é outro: medo e impotência. A perceção de catástrofe permanente aumenta, mesmo que o número real de fogos seja semelhante ao de outros anos.

E essa pressão mediática empurra governos a investir sempre mais em meios de combate visíveis (aviões, helicópteros) e menos em prevenção invisível (gestão da floresta, ordenamento do território).

⚖️ Em vez de espetáculo, sobriedade

Austrália e Canadá já adotaram diretrizes para não dar palco excessivo a incendiários. Em Portugal, ainda se transforma cada frente de fogo em teatro televisivo.

Não se trata de esconder a realidade, mas de comunicar com sobriedade, sem transformar cada ignição em espetáculo.

👉 Porque talvez uma das perguntas que devíamos começar a fazer é:

Quem realmente alimenta o fogo — o incendiário… ou também quem lhe dá palco?

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