(Nem tudo o que sobe tem valor. Há folhas que se elevam e cinzas que desaparecem.)
Corriam tempos de exibição.
Todos queriam ser vistos, ouvidos, admirados.
Falavam alto para calar o silêncio. Mostravam muito para esconder o pouco.
E assim se vivia, numa pressa de ser alguém, mesmo sem saber quem.
Mas havia um que caminhava de outro modo.
Não evitava o caminho batido, mas também não corria para a multidão.
Falava quando era preciso. E fazia quando ninguém via.
Não se apresentava como exemplo, mas tornava-se espelho.
— "Não queres reconhecimento?" — perguntavam-lhe.
— "Só quero dormir com a consciência limpa" — respondia.
Chamavam-lhe tolo.
Diziam que desperdiçava talentos.
Mas quando os palcos desabaram e as luzes se apagaram, muitos correram a pedir-lhe conselho, porque ele, no escuro, ainda brilhava.
Aos que vinham confusos, dizia apenas:
— "A vaidade engana o vento. A virtude firma o pé."
Moral?
“Tudo é vaidade, excepto a busca pela virtude.”
“Há fama que dura um instante. E há integridade que constrói eternidade.”
E dizem, os que passaram por ele, que ninguém se lembrava do seu nome, mas todos se lembravam de como ele os fez repensar a própria vida.
