A medida do vento

A medida do vento

May 13, 2025

(Nem tudo o que sobe tem valor. Há folhas que se elevam e cinzas que desaparecem.)

Corriam tempos de exibição.

Todos queriam ser vistos, ouvidos, admirados.

Falavam alto para calar o silêncio. Mostravam muito para esconder o pouco.

E assim se vivia, numa pressa de ser alguém, mesmo sem saber quem.

Mas havia um que caminhava de outro modo.

Não evitava o caminho batido, mas também não corria para a multidão.

Falava quando era preciso. E fazia quando ninguém via.

Não se apresentava como exemplo, mas tornava-se espelho.

— "Não queres reconhecimento?" — perguntavam-lhe.

— "Só quero dormir com a consciência limpa" — respondia.

Chamavam-lhe tolo.

Diziam que desperdiçava talentos.

Mas quando os palcos desabaram e as luzes se apagaram, muitos correram a pedir-lhe conselho, porque ele, no escuro, ainda brilhava.

Aos que vinham confusos, dizia apenas:

— "A vaidade engana o vento. A virtude firma o pé."

Moral?

“Tudo é vaidade, excepto a busca pela virtude.”

“Há fama que dura um instante. E há integridade que constrói eternidade.”

E dizem, os que passaram por ele, que ninguém se lembrava do seu nome, mas todos se lembravam de como ele os fez repensar a própria vida.

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