Oi, pessoal!
Essa é a transcrição completa e não editada do episódio 273, a parte das explicações. Eu recomendo que imprima e tente ler em voz alta, seguindo meu ritmo no podcast. Isso ajuda. E caso tenha perguntas, utilize a seção de comentários para fazê-la: é meu prazer ajudar.
O episódio pode ser ouvido no seguinte link:
Ou clicando aqui (vai abrir o spotify).
Bom, no nosso episódio de hoje, o narrador começa se apresentando de uma maneira muito divertida. É inclusive uma frase muito comum e muito informal no Brasil, que é: "Sou do tipo que paga para não entrar numa briga, mas quando entro, pago para não sair." E é uma frase comum que nós usamos para dizer que nós vamos insistir, nós vamos teimar, nós vamos continuar em caso de conflito. Nós não gostamos de conflito, mas se temos um conflito, então vamos continuar, vamos insistir nisso. E esse narrador briguento, esse narrador “confusento”, que gosta de confusão, de bagunça, ele disse que teve uma briga com um colega de trabalho, porque o colega de trabalho disse que o narrador ia continuar pobre pelo resto da vida, ou pelo menos que o narrador não ia ficar rico. E o narrador então começa a apresentar um pouco de sua própria história, muito provavelmente porque ele quer nos convencer de que ele vai ficar rico.
Vamos ver se ele consegue. Ele diz aqui: que sempre teve tino para negócios. E quando alguém tem tino para alguma coisa, significa que essa pessoa tem um talento natural, uma habilidade natural para essa coisa. Geralmente, na expressão "ter tino para os negócios". Por exemplo: "Eu nunca tive tino para os negócios.
Eu nasci para trabalhar na empresa de outras pessoas." "Eu não quero ter a minha própria empresa, porque eu nunca tive tino para negócios." E aí o narrador começa a contar mais sobre o primeiro investimento grande que ele fez, que foi numa barraquinha. Na época, ele era meio verde e, por causa disso, o negócio dele foi por água abaixo. Nós temos aqui algumas expressões muito boas. A primeira delas é "investimento". Pode parecer uma palavra fácil e clara, mas o verbo é "investir".
Quem fala espanhol, às vezes, vai confundir um pouco e vai dizer que é como "invertir", mas não, é "investir". E quando você investe, você investe em alguma coisa. Eu invisto em negócios. E o investimento que o narrador fez foi numa barraquinha de importados. E uma barraca é um ponto de venda que fica na rua.
Geralmente é como uma tenda mesmo, uma barraca. Você tem uma estrutura de ferro muito básica, tem um teto e só. É tipo, está ali você e sua coragem de trabalhar. Nas ruas do Brasil é muito comum ter barraquinhas de todo tipo de coisa: barraca de comida, barraca de produtos importados, barraca de produtos de higiene. Muitas dessas barracas estão ali regulares, ou seja, elas podem vender os produtos porque elas têm autorização da prefeitura.
Mas muitas delas não. As pessoas simplesmente têm vontade de colocar uma barraca coloca ali e foi, começa a vender. Muito simples. E quando o narrador diz uma barraquinha de importados, também é um fato cultural muito comum aqui no Brasil. Essas barraquinhas vendem produtos importados que provavelmente não pagaram todos os impostos.
Então são produtos ilegais algumas vezes, não é sempre, tá? É só para você saber que isso acontece. O narrador então fez esse investimento em produtos importados, geralmente bolsas, aparelhos eletrônicos, né, rádios, fones de ouvido, guarda-chuva, que eu vejo muito aqui nas ruas de Salvador. E o narrador disse então que ele era meio verde, ou seja, quando uma pessoa é verde ela é inexperiente. E quando eu comecei a dar aulas, muitos anos atrás, 13, mais ou menos 13 anos atrás, eu era meio verde, mas hoje não, hoje eu já estou maduro.
E então o narrador era meio verde, o negócio foi por água abaixo. Quando algo vai por água abaixo, isso significa que essa coisa não tem sucesso. Ela fracassa, ela deixa de existir, ela vai à falência, ela se perde. E qualquer coisa pode ir por água abaixo, literalmente. Imagine só, você está preparando um bolo, mas você se esqueceu de colocar fermento.
Então, o bolo não vai crescer, ele vai virar um tapete, vai ficar duro. Por isso, O seu bolo foi por água abaixo, ele não ficou bom, ele ficou, ele foi um fracasso. E antes de 2020 eu planejava viajar para China, né, estava com muitos planos tal, mas aí veio 2020, tivemos a pandemia naquela época e meus planos de viajar foram por água abaixo, o que é uma pena. Mas aí o narrador então diz: "Ele era verde e os negócios foram por água abaixo." Principalmente porque o narrador não tinha feito uma pesquisa de mercado para descobrir se havia demanda para aquela tralha toda. Então ele não tinha feito uma pesquisa de mercado para descobrir se havia demanda para aquela tralha toda.
E aqui temos 3 boas palavras, 2 sobre investimentos e negócios e uma palavra mais geral. A primeira delas é a pesquisa de mercado. E a pesquisa de mercado é o processo que as empresas e as pessoas seguem para reunir e analisar informações sobre os consumidores, as empresas concorrentes, os preços, as tendências. Geralmente, uma empresa só abre depois de fazer uma pesquisa de mercado. Eles investigam tudo e querem saber: esse negócio vai dar dinheiro?
Se na pesquisa eles descobrirem que não dá dinheiro, eles não vão investir. E foi o que o narrador não fez, porque ele não sabia se havia demanda. E quando nós falamos de demanda, nós queremos dizer que existem pessoas interessadas em adquirir, em comprar esse produto ou serviço. Por exemplo, eu dou aulas de português, então tem uma demanda boa para isso, tem muitos estudantes como você que querem aprender português, então tem muita demanda pelos meus serviços. Mas aqui no Brasil eu tenho que dizer: o inglês tem muito mais demanda.
Muitas pessoas querem aprender inglês e muitas empresas precisam de falantes de inglês. Então existe demanda por falantes de inglês e existe demanda por professores de inglês também.
E a outra palavra que o narrador utilizou foi "tralha", que é a palavra mais comum ou mais informal dessas três. E quando ele falou "tralha", significa que ele não tinha uma boa opinião sobre os produtos que ele vendia, porque "tralha" são os objetos que não são muito úteis, que a qualidade não é muito boa. É o lixo, a porcaria, aquele monte de cacareco que a gente tem aqui. Eu tenho que dizer para vocês, e aqui é um outro exemplo, tá? Normalmente eu tento organizar o meu espaço de trabalho.
Então eu coloco os livros no lado, coloco os papéis no outro, os equipamentos eletrônicos em uma outra ponta, mas eu sou um pouquinho desorganizado. Então, eu acabo colocando uma coisa aqui, outra coisa ali, de repente meu quarto está cheio de tralha que eu não preciso. Eu tenho coisas aqui realmente que não são necessárias, inclusive eu tenho um crânio, é um crânio de brinquedo, claro, que é só tralha no meu quarto. Então, tem muita porcaria e provavelmente eu vou jogar muita tralha fora no futuro, eu vou descartar muita tralha.
E se você disser que as coisas de alguém são "tralha", isso não é muito respeitoso. Parece que é um monte de coisa bagunçada, sem valor, que não serve para nada.
E aí o narrador diz: "Eu não fiz nada disso. Eu não pesquisei, não investiguei, não avaliei." E quando eu precisei me ausentar dos negócios, eu não me surpreendi nada, nada.
E quando você se ausenta de alguma coisa, por exemplo, você está em um lugar e você se ausenta, significa que você não está mais presente nesse negócio, ou nesse lugar, melhor dizendo. Então, quando alguém se ausenta de um negócio, significa que ela não está mais participando deste negócio. Ela se afastou, ela se distanciou. Aqui é uma maneira mais simpática de dizer que ele abandonou os negócios. E um outro exemplo que eu posso dar: às vezes eu estou conversando com os alunos na hora da aula, mas então eu escuto alguém chamar aqui perto da minha casa.
"É aqui!" E aí eu digo para os meus alunos: "Olha, me desculpem, eu vou me ausentar durante 2 minutinhos, mas eu já retorno." "Eu vou me ausentar durante 2 minutinhos, mas eu já retorno." E muitas vezes, aqui temos outro exemplo, as pessoas estão trabalhando, mas por motivos diferentes, elas precisam se ausentar do trabalho. E isso significa que elas precisam se afastar do trabalho temporariamente, às vezes por motivo de saúde, às vezes porque precisa fazer uma viagem. Então, elas se ausentam do trabalho.
Mas o narrador não é mais verde. Ele aprendeu muitas coisas. Ele, na verdade, procurou maneiras de aprender, né? Porque ele diz que aprendeu muitas coisas e a primeira coisa que ele fez foi ir a um seminário que o ajudou a enxergar o assunto de negócios de uma maneira diferente.
Ele foi a um seminário onde aprendeu a enxergar os negócios de maneira diferente. E aqui temos duas boas palavras. A primeira delas é o seminário. E originalmente o seminário é onde os padres da igreja se formam, né? Se uma pessoa quer ser padre, ela vai para o seminário, estuda e tchan, vira padre.
Mas hoje em dia seminário tem outro sentido. O seminário é um encontro organizado para apresentar e ensinar e discutir também um assunto específico. Normalmente tem um especialista, que é o palestrante, o apresentador, e tem o público, os participantes. Por exemplo, na semana passada, "Eu fui a um seminário de vendas. Eu trabalho como vendedor e não estava conseguindo vender muito bem, mas nesse seminário eu aprendi muitas técnicas interessantes de vendas e por isso agora eu estou confiante de que vou ganhar mais dinheiro." Então, no seminário de vendas eu aprendi a vender.
E aqui no Brasil nós temos seminários para tudo. E quando eu digo para tudo, é para tudo, inclusive para retirar a energia negativa do corpo. Procurem que vocês encontram essas informações.
E o narrador disse que o seminário ajudou a mudar a maneira de enxergar o assunto de negócios. E enxergar é a palavra-chave aqui. Enxergar significa perceber algo com a sua visão. Você vê, olha e enxerga. Olhar e enxergar têm uma diferença básica.
Você pode olhar sem ver e você pode olhar e enxergar. Você olha e percebe o que está lá. Por isso que enxergar também significa compreender ou reconhecer uma situação. Deixa eu dar um exemplo para ficar mais fácil. Porque antes eu pensava que estudar era uma bobagem.
Para que eu vou perder tantos anos na universidade se eu só quero trabalhar? Mas aí eu investiguei um pouco e passei a enxergar a educação como algo fundamental. Por isso eu voltei para a faculdade e continuei estudando.
Então, muitas pessoas não enxergam na educação uma oportunidade de melhorar a própria vida. Elas pensam que estudar é bobagem. Acredite, tem gente que pensa assim. Mas eu não. Eu enxergo na educação a melhor oportunidade de melhorar a própria vida.
Isso é sério, tá, gente? Eu enxergo na educação essa possibilidade.
Eu poderia também dizer: "Eu vejo na educação". Tem o mesmo sentido, mas é menos preciso. Mas eu nunca poderia dizer: "Eu olho na educação". Não! Desse jeito a gente não fala normalmente aqui no Brasil, tá bom?
E uma coisa muito importante nos seminários é o palestrante, ou a pessoa que vai apresentar a palestra.
Aí eu falei meio paulista ali, eu falei palestrante, quando minha pronúncia normal é palestrante. E aí, se um palestrante não tem experiência, para que diabo é que a gente vai assistir um seminário dele, né? Por isso o narrador diz que o palestrante era um sujeito que tinha enriquecido às custas de muito trabalho. Ele era um sujeito honrado. E um sujeito, ou um tipo, ou um cara, são todas expressões para falar de um homem que a gente não quer mencionar o nome, ou de quem a gente não sabe o nome.
Eu posso dizer que tem um sujeito ali na frente de casa que eu não sei quem é, ou eu posso dizer que você é um sujeito estudioso. Geralmente nós usamos sujeito para homens, né, sempre no masculino, mas eu já escutei também no feminino, uma sujeita, não com sentido muito bom, geralmente com sentido de uma pessoa sem importância. Eu tenho mais notas para isso lá na transcrição. Se você tiver acesso, dê uma olhada na descrição desse episódio para saber como você pode acessar a transcrição.
E o narrador disse que esse sujeito tinha enriquecido, ou seja, ele tinha ficado rico, às custas de muito trabalho.
E a expressão "às custas de alguma coisa" significa com a ajuda ou por causa dessa coisa. E aí eu vou te dar dois exemplos. Primeiro, eu gostaria de falar alemão e, às custas de muito estudo, eu finalmente consegui dizer que eu posso falar alemão. Então, eu aprendi alemão às custas de muito estudo.
Como você vê, tem algum esforço envolvido na expressão "às custas de".
Normalmente, a versão correta, a versão mais comum na escrita é "à custa de". Então, "eu aprendi português à custa de muito esforço", "à custa de muito estudo". Essa é a versão gramaticalmente correta, mais comum na escrita. Mas, no dia a dia, você vai ver muitos brasileiros falando "às custas de". No plural.
Esse é um erro tão comum que alguns gramáticos agora aceitam. Então, não se preocupe se você usar um ou outro. Se quiser ter mais precisão no que você diz, "à custa de", mas se quiser falar como os brasileiros realmente falam, "às custas de" também é possível.
E tudo isso, toda essa lenga-lenga, todo esse lero-lero para dizer que o seminário lá, o cara do seminário era muito trabalhador. E o narrador aprendeu com ele alguns macetes. E um macete é um truque, uma maneira de fazer algo mais fácil. E um macete muito comum é o de organização pessoal. Muitas pessoas têm problemas para organizar as próprias coisas, né?
Fica tudo muito bagunçado e tal. Mas tem uma senhora japonesa que se chama Marie Kondo, que ficou muito popular aqui no Brasil uns tempos atrás porque ela ensinava uns macetes de organização muito bons. Era basicamente você decidir o que precisava ir embora e o que podia ficar. Então ela pegava alguma coisa e dizia: isso traz felicidade, "Não traz, então lixo!" Agora, se trouxesse felicidade, ficava em casa. Esse é um macete muito bom e eu até hoje uso para me organizar.
O meu problema é que tudo me traz felicidade, então eu fico com tudo. Daí, o macete é um truque para facilitar ou para deixar alguma coisa mais fácil. Me compartilha aqui nos comentários se você tem algum macete para preparar comida, porque tem gente que demora, como eu, e tem gente que faz muito rapidinho. Então, você tem algum macete para fazer uma comida boa e rápido?
E aí o narrador começa a falar sobre os outros pontos que ele aprendeu no seminário, né, os outros macetes. O outro macete, que não é nem tanto macete assim, é observar as tendências do mercado. Né, para onde é que o mercado está indo. E aí ele deu um exemplo aqui: teve uma época que havia uma febre de Labubu lá no começo, ou seja, quando estava dando os primeiros passos. O narrador comprou alguns bonecos Labubu para vender quando estava no auge.
Ele não vendeu todos porque ele empacou com alguns dos produtos. Mas ele saiu no empate. Ele nem perdeu, nem ganhou dinheiro. E agora vamos olhar essas expressões mais de perto, porque ele diz aqui da febre do Labubu. E Labubu, gente, eu peguei porque realmente no Brasil foi uma febre.
Eu lembro que quando estava realmente no ponto mais alto, quando estava no auge, as pessoas brigavam, elas batiam umas nas outras porque elas queriam a droga do Labubu. Era tipo, você via pessoas puxando os cabelos das outras, arranhando a cara, dando socos, dando chutes, tudo isso por causa do Labubu. Então foi uma febre, mas agora já nem está tão popular como normalmente são as febres. E tudo isso foi para dizer que a febre é uma moda, é alguma coisa que de repente fica muito popular, mas que é apenas uma coisa passageira, normalmente isso passa rápido. Antes era o Labubu, depois viraram as cartas de Pokémon.
Aqui no Brasil tem muitas pessoas comprando cartas de Pokémon, não sei por quê, é uma febre. Mas também temos outros tipos de febre, pode ser uma moda, um tipo de roupa que as pessoas usam. Pode ser um estilo de cabelo e pode ser também o vocabulário que usam. Agora tá uma febre usar vocabulário de internet aqui no Brasil. Farmar aura, 67.
Eu não entendo nada disso, eu sou velho, mas é uma febre entre os jovens. Aí uma febre no passado também que teve, que foi muito rapidinho, que acabou, foi o fidget spinner aqui no Brasil. As pessoas compravam aqueles negocinhos para girar e girar e girar, e eu ficava: por quê? Por que isso é popular? Mas foi uma febre, todo mundo tinha, inclusive eu.
Eu não sabia por que eu tinha, mas eu tinha.
E o narrador diz, né, que quando a febre estava começando, ou seja, quando ela estava dando os primeiros passos, ele comprou alguns para vender quando estivesse no auge. E o auge é o ponto mais alto de alguma coisa. No caso da febre do Labubu, é no ponto em que todo mundo estava comprando e já não era possível encontrar. A gente também pode falar o auge de popularidade. Eu sou um pouco mais velho do que os meus amigos, então muitas coisas que eu conheço hoje já estão decadentes, assim, músicos, artistas.
Mas antigamente, nossa, quando era no auge, por exemplo, no auge dos Beatles, né, tava todo mundo arrancando os cabelos, imagine all the people, e coisa do tipo. Hoje eles já não estão mais no auge da carreira, né, acho que já nem existem mais, eu acho. Então quando estava no auge, todo mundo gostava.
E o narrador disse que comprou esses produtos para vender quando eles pudessem ser mais caros, no auge de popularidade, mas ele não vendeu tudo. A palavra que ele disse foi que ele empacou com alguns dos produtos. E empacar é uma palavra muito informal, muito boa inclusive, que significa ficar parado, não avançar ou ter alguma dificuldade para avançar. Se você está dirigindo um carro e, de repente, tem um bloqueio no chão e o seu carro fica parado, ele não vai, você acelera o carro e ele morre, o carro empacou. O carro parou, ele não está saindo mais dali, ele empacou.
No meio do caminho. E às vezes, quando você está estudando português, tem alguns pontos de gramática que são muito complicados. Você estuda, estuda, estuda, mas não consegue entender. Ou seja, você empacou naquele ponto. E quando o narrador diz que ele empacou com alguns produtos ou que alguns produtos empacaram, significa que ele não conseguiu vender ou que os produtos não foram vendidos.
Daí, ele não vendeu tudo, né, ele vendeu só alguns, mas o que ele vendeu foi suficiente para recuperar o dinheiro perdido. Não foi o suficiente para ganhar mais dinheiro, mas ele também não perdeu. Ou seja, "Ele saiu no empate", "ele saiu no 0 a 0". E o empate normalmente é utilizado em competições esportivas, quando nós temos duas equipes, dois times jogando, e os dois times marcam o mesmo número de pontos. Por exemplo, o Brasil marcou 1, a Argentina marcou 1, isso significa que o jogo tem um empate.
O resultado é igual. Um time tem 1 ponto, outro time tem 1 ponto. No dia a dia, nós usamos essa palavra para dizer que não houve diferença, não houve perda, nem houve ganho. Foi um empate.
Como eu disse também, a gente diz que saiu no 0 a 0, que é uma referência ao futebol. Um time marcou 0 pontos, outro time marcou 0 pontos, ninguém ganhou. Ninguém perdeu.
E um outro exemplo que eu posso te dar, é um exemplo muito coloquial, é de uma pessoa que está querendo ter um encontro romântico. Digamos que o João gosta muito da Maria, mas a Maria não conhece muito bem o João. E aí o João convida a Maria para sair e está com esperança de dar uns beijos na Maria. Mas a Maria não está muito interessada não. Então, eles conversaram, conversaram, conversaram e o João sai com a sensação de que foi um empate, foi um zero a zero.
É um, como eu disse, é uma coisa muito coloquial. As pessoas às vezes dizem isso. E aí os amigos do João podem perguntar para ele: "Ah, e aí João, como foi o seu encontro com a Maria?" E aí o João vai e diz: "Ah, foi empate, foi 0 a 0, ou seja, nada aconteceu." Eu tenho algumas observações sobre isso lá na nossa transcrição. Dê uma olhada como você pode ver, né, essa transcrição na descrição desse episódio.
E aí o narrador continua falando das lições: "Minha nossa, esse seminário realmente foi muito bom porque ele aprendeu bastante coisa. A outra coisa que ele aprendeu foi que tem que chegar cedo em uma tendência de mercado. Ele fala uma frase que é muito típica agora da internet, especialmente falando sobre negócios, que é: "Passarinho que chega cedo bebe água limpa." "Passarinho que chega cedo bebe água linda." Ou limpa, não linda. Limpa.
E essa frase é uma tradução de um termo, de uma frase de outros idiomas também, Porque no Brasil a gente também fala: "Deus ajuda quem cedo madruga", que pode ser uma adaptação. Se você faz cedo, tudo vai sair bem melhor. Mas o que acontece é que o narrador acha que tem que chegar cedo, porque quando tem gente adoidada, já é impossível você conseguir alguma coisa. E ele menciona o mercado de propriedades, de imóveis, casas, prédios. Ele diz que já tem gente adoidado nesse mercado.
E quando nós usamos "adoidado" como adjetivo ou advérbio, isso significa em grande quantidade ou de maneira intensa, né? Uma coisa sem controle. Quando ele diz que tem gente adoidado ali, significa que tem gente demais, tem muita gente, tem gente para caramba, tem gente adoidado.
Outro exemplo que eu posso dar para você é o seguinte: "Olha, me desculpa por eu ter esquecido o seu aniversário. Não foi por mal, é porque eu estou trabalhando adoidado esses dias. Eu estou trabalhando adoidado e não tenho tempo para nada.
Eu estou trabalhando adoidado." E tem um filme antigo que se chama Curtindo a Vida Adoidado, e em inglês eu acho que é Ferris Bueller's Day Off, alguma coisa assim. Então no português ficou Curtindo a Vida Adoidado. É um filme antigo, eu disse, as minhas referências são antigas, eu sou um pouco mais velho, e por causa disso O narrador diz que o negócio não é investir só em propriedade, mas também adaptar para os novos mercados, como o Airbnb, que é muito popular aqui no Brasil.
Apesar de tudo, o narrador diz que é realista, ele percebe as coisas como elas são.
E ele diz que se quando ele era mais jovem ele tivesse observado os sinais de alerta, né, para investir em produtos importados, ele teria poupado uma grana federal. E ainda a taxa de retorno era muito baixa. Por isso o narrador se considera palerma por ter feito esse investimento. Então aqui temos algumas expressões boas. A primeira delas é o sinal de alerta, uma expressão clara, né.
É o sinal de alerta. E eu trago essa expressão só para dizer que sinal é um ponto, é um aviso. Já a palavra que é parecida em inglês, na verdade, não é sinal. Significa também placa. Então, a placa de identificação, uma placa de informação é uma coisa.
Um sinal é um aviso. É um alerta, alguma coisa assim. Então, sinal de alerta é um ponto de alerta. Eu tenho mais notas sobre isso na descrição e na transcrição desse episódio.
E o narrador disse: bom, se eu tivesse observado os sinais de alerta, eu teria poupado uma grana federal. Quando ele diz federal aqui, ele não tá falando de governo, não. Federal significa da federação, né, do governo, mas também significa informalmente uma coisa muito grande, em grande quantidade ou em grande intensidade. É uma palavra bem informal nesse sentido. Então, se eu digo que em Salvador está fazendo um calor federal, todo mundo sabe que aqui está muito quente.
Aqui em Salvador nunca fez um frio federal. Ai, quem dera fizesse um frio federal aqui, mas não, nunca fez. E eu gastei um dinheiro federal significa que eu gastei muito dinheiro. Então federal pode ser uma coisa de intensificação, ou em quantidade ou em qualidade, e é muito muito coloquial. Se você usar nesse sentido, todo mundo vai perceber que você está falando informalmente.
E o narrador gastou uma grana na Federal, não teve retorno nenhum, ou seja, ele não recuperou o investimento, e foi palerma.
E palerma é alguém pouco inteligente, alguém que não presta muita atenção. Então é alguém estúpido. A gente usa isso muito como um insulto, né? Alguém faz alguma burrice e nós dizemos: "Ai, seu Palerma, não faça isso!" Ou: "Sua Palerma, preste atenção!" E é mais leve do que idiota. Se você chamar alguém de idiota, é um tapa na cara.
Agora, se você disser: "Você é um pouco palerma", é apenas um uma agressão leve. Então, escolha suas armas para atacar alguém.
E o narrador sabe, então, que no passado ele era "palerma", ele era ingênuo, não prestava muita atenção, mas isso são águas passadas, porque agora ele sabe que o mercado de casas promete, o mercado imobiliário promete.
E quando ele disse que são águas passadas, significa que isso terminou, isso pertence ao passado, isso não tem mais relevância no presente. A gente usa muito isso com o sentido de "esqueça, isso não é mais importante". Por exemplo: "Eu sei que antigamente eu não era muito simpático com você, mas é porque você também não era uma pessoa legal, né? Você era meio chato. Mas isso são águas passadas." "Vamos ser amigos.
No passado eu tinha ódio de você, você era um chato, mas agora eu estou mais velho, estou mais experiente, essas intrigas do passado são águas passadas, ou seja, vamos esquecer." E quando o narrador disse que o mercado de casas promete, ele é promissor, ele tem boas oportunidades, ele apresenta boas oportunidades de bom resultado no futuro, né? Então, isso promete.
E também o narrador fala que vai investir não só nas casas, mas também na tecnologia, né? Essas coisas de tecnologia, inteligência artificial, cloud service, todas essas coisas assim. Mas aí o colega dele, que é de quem ele falou no começo desse episódio, disse que o narrador não se concentrava, não tinha foco. E o narrador diz: "Eu não tenho foco? Não, não, é o meu colega que é míope." Porque diversificar é muito importante.
Apostar todas as fichas num só investimento É pedir para ir à falência. E aqui temos algumas boas palavras. A primeira delas é míope. E míope literalmente é uma pessoa que tem dificuldade para enxergar objetos distantes, né? Se ela tenta enxergar alguma coisa longe, ela não consegue.
Ela faz força com os olhos, mas ela é míope, então não consegue ver. Eu, por exemplo, uso óculos, mas eu não sou míope, não. Eu tenho problema para ver de perto, não de longe. Mas a gente também pode chamar de míope uma pessoa que não enxerga as oportunidades. Ela é muito limitada, ela não percebe o que vai acontecer no futuro.
Muitos anos atrás, eu comecei a estudar mandarim. E aqui é um exemplo, tá? É um exemplo real. E aí, naquela época diziam assim: "Ah, você está estudando isso para quê? Esse idioma não serve para nada." Mas hoje muitas pessoas querem estudar mandarim porque muitos países ou muitos negócios fazem negócios com empresas chinesas.
Então, na época, as outras pessoas eram míopes e eu era visionário. Não, é mentira, eu não era visionário, não. Eu comecei a estudar porque eu não tinha nada o que fazer e tinha muitos amigos que falavam mandarim. Mas eu gosto de dizer que todo mundo era míope e eu era visionário.
E diversificar significa distribuir os seus recursos, as suas atividades, e usar diversas opções para isso. Você pode diversificar os investimentos, então você investe na bolsa de valores, investe em casas, investe em Itens colecionáveis, investe em várias coisas, você diversifica os seus investimentos. Muitas pessoas também diversificam as amizades, elas não querem ter só uma amizade em um grupo só, elas têm amigos do trabalho, amigos do yoga, amigos da academia, amigos da rua, amigos de todo lado, elas diversificam as amizades. Você pode diversificar qualquer coisa, inclusive a minha gatinha tá querendo diversificar alguma coisa aqui, eu vou botar ela para fora.
Eu acho que ela quis diversificar os alimentos, que aqui no quarto ela só tem poeira. Ela foi para cozinha procurar comida. Bom, e o narrador diz que é importante diversificar, porque se você apostar todas as suas fichas em uma coisa só, é pedir para ir à falência. E apostar as fichas aqui faz referência ao Porque ao cassino, porque quando uma pessoa vai no cassino ela usa fichas para apostar, ela não usa dinheiro, né? Ela paga com dinheiro, mas ela usa fichas para fazer as apostas.
Então a gente diz: apostar todas as suas fichas numa coisa só é perigoso, você pode perder tudo. E por isso o narrador diz que ele está investindo em várias coisas diferentes para não ter o risco de sair com as mãos abanando.
E sair com as mãos abanando ou ficar com as mãos abanando é uma expressão muito coloquial e significa ficar sem nada, não obter o resultado que você quis obter mesmo depois de fazer esforço, né? Então, um exemplo que eu posso te dar é: É, eu entrei em contato com a empresa para fazer uma negociação. Passei muitas horas negociando com a empresa, estava quase certo de que sairia com um contrato assinado e muito dinheiro no bolso, mas no último momento a empresa e os donos da empresa mudaram de ideia e eu não consegui o contrato e não consegui dinheiro. Eu saí da reunião com as mãos abanando. Eu saí da reunião com as mãos abanando, não ganhei nada.
E abanar é você fazer um movimento para um lado e para o outro, para um lado e para o outro. Às vezes nós abanamos, usamos a mão para abanar o rosto, para fazer vento, né? Quando tá muito calor, você pega um papel aí, faz, você abana o papel. Uso o papel, melhor, para abanar o rosto, para fazer um ventinho. Então esse mexer para um lado e para o outro, um lado e para o outro, é abanar.
Inclusive um cachorrinho, né, um cachorrinho muito bonitinho, pequenininho. Eu tenho um cachorro, gente, eu adoro cachorro. O cachorro quando está feliz, ele abana o rabo para um lado e para o outro, para um lado e para o outro, para mostrar que está feliz.
E, no fim, o narrador fala que aprendeu muitos macetes, que fez essa pesquisa, que sabe de tudo e só falta o capital para investir. E o capital é o dinheiro. Observe: o capital, masculino. Mas, quando é feminino, a capital, essa é a cidade. Então, a capital do Brasil é Brasília.
Já o capital é o dinheiro. Então, é como aquele negócio, né? "Vontade a gente tem, a gente não tem é o dinheiro." O narrador, coitado, ele tá assim. Agora vamos ouvir o monólogo mais uma vez, na mesma velocidade de antes, e preste atenção nas novas palavras. Veja quantas, ou melhor, veja se você compreende melhor o monólogo inicial.
