Episódio 274: Superstições ao Longo do T ...

Episódio 274: Superstições ao Longo do Tempo

Aug 21, 2026

Essa é a transcrição completa e não editada do episódio 274, a parte das explicações. Eu recomendo que imprima e tente ler em voz alta, seguindo meu ritmo no podcast. Isso ajuda. E caso tenha perguntas, utilize a seção de comentários para fazê-la: é meu prazer ajudar.

O episódio pode ser ouvido neste link (clique aqui).

Aqui começa a transcrição:

Bom, eu não sei quanto a você, não sei sobre você, mas eu não sou uma pessoa muito supersticiosa, não. Eu não tenho muitas superstições. E observe a minha pronúncia, eu falo superstições, mas às vezes quando a gente fala muito rápido, a gente suprime a letra S, ou melhor, o som de S. Então algumas pessoas vão falar "supertições", assim, ou "supertições". Cuidado com a pronúncia "superstição".

Essa é uma pronúncia comum, mas errada aqui no Brasil, tá bom? Dizem que quem falar errado tem 10 anos de azar. Toma aí uma superstição para você. E a superstição é uma crença, ou para algumas pessoas, uma crendice. Que nem todo mundo acredita, mas algumas pessoas acabam respeitando.

E eu acabei usando aqui duas palavras: crença e crendice. As duas palavras vêm da mesma origem, "crer", mas tem uma diferença na opinião de quem fala. Se a pessoa fala uma crença, isso significa que é uma coisa em que você acredita. A sua crença pode ser a crença religiosa. Uma pessoa que tem uma religião, ela segue uma crença religiosa, mas ela também pode ter uma crença num futuro melhor, né, que tá difícil com esse tempo do jeito que tá, mas essa é a crença.

Já a "crendice" é uma crença também, mas é considerada absurda ou ridícula. E não tem nenhum tipo de explicação científica, nem nenhum tipo de origem religiosa. É uma crendice. Por exemplo, algumas pessoas não querem andar por debaixo de uma escada. Por quê?

Porque elas têm essa crendice de que andar por debaixo da escada pode trazer azar. Outra crendice muito comum aqui no Brasil É aqui, se você quebrar um espelho, você vai ter 7 anos de azar. E outra crendice, essa já é mais popular ainda, muito comum, é quando você perde um cílio do seu olho. E os cílios são esses pelinhos que ficam nos seus olhos, aqui junto dos olhos, que ajudam a fechar os olhos. Então, geralmente, quando uma pessoa percebe que os cílios da outra caíram, ou melhor, um fio só do cílio caiu, a pessoa pega, coloca no polegar, a outra pessoa prende com o polegar também, e depois eles começam a dizer: "Minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha, minha!" E separam os polegares.

Quando eles separam os polegares, quem tiver ficado com o cílio vai ter boa sorte. E quem não ficou com o cílio, ou quem não tiver ficado com o cílio, não vai ter a boa sorte. É uma crença, ou melhor, é uma crendice muito louca, né? Mas é bem comum. E por causa disso, muitas pessoas, por causa dessas crendices, muitas pessoas evitam falar certas palavras, né?

Por exemplo, o nome de algumas doenças. Tem muitos brasileiros que não gostam de falar Na minha família, por exemplo, a gente tem um histórico de câncer, né? Nas minhas tias, minhas avós, tal. Então, a gente sempre fica muito atento a isso. Mas eu não posso falar essa palavra na frente de outras pessoas, porque as pessoas ficam assustadas com isso.

Outra crendice que eu conheço aqui no Brasil é que algumas pessoas não querem usar o cinto de segurança no carro. Por quê? Porque elas acreditam que usar o cinto de segurança vai atrair um acidente. Porque precisa de um acidente para o cinto de segurança ser necessário no carro. Então elas andam sem o cinto de segurança, porque assim não vai ter acidente.

É bem maluco, né? E eu vou dizer para você, dê uma olhada na descrição desse episódio, porque eu vou falar de muita coisa cultural É muito importante. Hoje nós não temos uma historinha para unir tudo, tá? Então vamos continuando. Como disse aqui no ensaio, mesmo quem não acredita nessas crendices tende a respeitá-las, né?

Eles não vão falar nada contra isso. E é por isso que se diz "má sorte" em vez de "azar". Por quê? Porque falar "azar" traz má sorte. E aí você me pergunta: tá, Élcio, qual é a diferença entre azar e má sorte?

Basicamente nenhuma. A diferença é que o azar é uma palavra direta e má sorte ou falta de sorte é uma expressão completa. E a gente tem um adjetivo que é azarado. Uma pessoa que tem muito azar é azarada. Então, isso acontece às vezes comigo, né?

Quando eu moro em Salvador, Salvador é uma cidade que tem praias em todos os lados. Então, durante a semana eu trabalho em casa, no final de semana eu quero ir para praia. E aí eu penso, eu faço todos os planos, me preparo, aí quando chega o sábado Começa a chover. Por quê? Porque eu sou azarado.

Não é porque o tempo está mudando, não. É porque eu sou azarado, então começou a chover.

E azar também é usado nos jogos de azar, como os jogos de cassino: poker, 21, roleta.

Máquina de caça-níqueis. Todas essas coisas de cassino são jogos de azar. E aqui nós temos uma primeira estrutura. A estrutura é "em vez de".

Nós dizemos essa estrutura para indicar que uma coisa substitui outra. Então, em vez de sair, eu preferi ficar em casa. E descansar, em vez de com o verbo no infinitivo.

E se eu utilizar um pronome aqui, eu for falar de uma pessoa, talvez eu vou precisar usar o infinitivo pessoal. Então, muitas recomendações dos pais aqui para os filhos é: em vez de vocês ficarem jogando videogame o dia todo, deveriam estar estudando. Em vez de vocês jogarem videogame o dia todo, deveriam estar estudando. Agora vamos lá para o próximo parágrafo do ensaio. O próximo parágrafo começa: temos várias outras superstições.

Nada de comer e tomar banho, senão vai passar mal. E ai de quem deixar na porta calçados emborcados. Quem paga por esse deslize é a mãe, que há de sofrer um acidente ou até mesmo ter um piripaque e morrer.

Que crendices malucas, né? E temos aqui algumas palavras. Vamos com o vocabulário primeiro. A primeira expressão é passar mal. E se uma pessoa passa mal, significa que ela não se sente bem.

Ela tá tendo algum tipo de problema de saúde naquele momento. Então muitas pessoas agora, a gente vê na Europa, na Ásia, na América do Norte, temos ondas de calor e muitas pessoas passam mal por conta do calor, né? Então tem muito calor, faz muito calor, E as pessoas se sentem mal, elas começam a passar mal. Passar mal também tem outros sentidos que vão ser explorados nas nossas discussões. Quer participar das nossas discussões ao vivo e a cores?

Dê uma olhada na descrição desse episódio para saber como você pode participar também. Vamos continuar. A outra palavra aqui que nós temos, que é um vocabulário bom, é emborcado. E emborcado é um adjetivo e vem do verbo emborcar. Mas emborcado significa que alguma coisa está virada de cabeça para baixo.

Então, por exemplo, se o seu sapato está emborcado, isso significa que a parte onde você coloca o seu pé está no chão e a parte da sola está virada para cima. Então, o sapato está emborcado. Também falamos de navios e barcos que estão emborcados. Geralmente, se acontece um acidente em alto mar, o navio vira de cabeça para baixo, né? Ou a canoa, o barco vira de cabeça para baixo.

Então, a gente diz que o barco emborcou.

E essa é uma crendice comum, especialmente para crianças, né? Se ela deixar o chinelo emborcado, os pais vão morrer.

Tanta criança tentando matar os pais, né? Ai, ai, ai. Mas eu não sei se o Google vai pegar isso. Google, estou brincando, né? Uma brincadeira, pelo amor de Deus.

Mas É uma crendice que tem, né? Deixar a chinela emborcada fica perigoso para os pais. E o ensaio aqui usa a palavra deslize para falar dessa falha, desse erro que é deixar o chinelo emborcado. E deslize é um pequeno erro. Não é um erro, erro de verdade, é um pequeno erro.

Eu falo muito com os meus alunos que eles não cometem erros, eles cometem deslize quando falam português. E eu também cometo deslizes quando eu falo inglês ou outros idiomas, né? Por que eu digo deslize? Porque as pessoas ainda entendem você e não é tão grave, não é uma coisa que vai começar uma guerra ou coisa do tipo. Às vezes é só uma sílaba no lugar errado, um som que não saiu, uma conjugação que não tá certa.

Então isso é um deslize. Aqui de brincadeira, claro, mas um erro de verdade é o que eu vou te contar agora, porque eu fiz sociologia, né? Um deslize é começar a estudar sociologia na universidade e pagar por isso. Um erro é concluir o curso. Então tem que ter cuidado com essas coisas.

E também tem outra palavra que o narrador, eu sempre falo narrador, o ensaio mostra, que é outra palavra, que é: a mãe vai ter um piripaque. E o piripaque é uma palavra muito informal, e anote, é uma palavra masculina, o piripaque é um ataque nervoso ou algum tipo de problema que acontece na pessoa e provavelmente ela vai desmaiar, ela vai passar muito mal. Não é uma coisa específica. Um piripaque pode ser um ataque nervoso e a pessoa ficar hiperventilando, né? O que que tá acontecendo?

O quê? Isso pode ser um piripaque. Também pode ser um piripaque quando uma pessoa tem um ataque cardíaco, né? Então não temos uma definição específica, mas a gente sabe que uma perturbação física vai ser um piripaque. A gente também diz treco ou troço para isso.

E eu vou te contar uma vez que eu tive um piripaque. Eu era muito jovem, eu tinha acho que 6 anos de idade, mas eu lembro porque eu tenho muito medo de aranha. Hoje mais tranquilo, hoje eu tenho respeito, eu tenho respeito pela aranha, mas quando eu era criança eu tinha muito medo. E uma vez eu abri a porta da minha casa e tinha uma aranha carguejeira Se você conhecer as aranhas do Brasil, sabe que elas são enormes, muito grandes. E quando eu vi aquela aranha, eu perdi a consciência.

Eu dei um grito e caí no chão sem consciência. Eu tive um piripaque. Meus pais até acharam que eu tinha morrido e tentaram me ressuscitar. Por sorte, eu não morri. Eu estou falando aqui com você, pelo menos nessa data que eu estou fazendo a postagem.

Posso estar morto depois, mas eu tive um piripaque e passei muito mal. E agora vamos às estruturas deste parágrafo. A primeira estrutura é a expressão "nada de". "Nada de" mais o infinitivo. Essa é uma estrutura para dar uma ordem para uma pessoa não fazer alguma coisa.

O médico pode dizer para um paciente diabético: "Não pode comer coisas doces." "Não pode comer coisas doces." Um amigo pode dizer para o outro amigo: "Não pode contar para minha esposa que eu estou preparando uma festa surpresa para ela." "Não pode contar para ela." E o equivalente aqui é: "Não conte." "Não pode contar." A diferença é que "nada de contar" parece mais suave, parece mais informal. "Não conte" é muito direto. Então, se você estudar português comigo, eu vou dizer: "Olha, nada de pular os exercícios, hein? Tem que fazer todos." Eu não vou dizer: "Não pule os exercícios." Esse daqui foi meu dedo passando no pescoço. Então, nada de.

A outra estrutura que nós temos é "se não". Se não. E aqui é uma palavra só, tá? Se não. Se não significa do contrário você vai ter uma consequência.

Continuando com o nosso médico legal, né, o médico divertido, não legal, que o médico legal é uma coisa jurídica. O médico vai dizer para você: "Não vai comer doces, senão vai ter um piripaque." "Não vai comer doces, senão vai ter um piripaque." Ou seja, se você comer doces, a consequência vai ser ter um piripaque.

Inclusive, eu às vezes não quero fazer as coisas na hora correta. Isso em português se chama procrastinar ou empurrar com a barriga. E a minha barriga não é tão grande mais, mas ainda está um pouco grande, então eu posso empurrar muito bem. E aí o que acontece? Eu quero empurrar com a barriga, eu quero procrastinar, mas é melhor eu não procrastinar, senão eu vou ter muito mais trabalho do que eu posso dar conta.

E a terceira estrutura aqui é uma estrutura do futuro secreto. Todo mundo conhece, mas ninguém ensina nem fala. Por quê? Porque é uma estrutura mais falada e me parece um pouco mais literária para muitas pessoas, que é usar o verbo haver mais a preposição de mais um verbo no infinitivo. E aí eu te dou um exemplo: eu hei de concluir o meu curso de sociologia.

Eu hei de concluir meu curso de sociologia. Ou eu olho para o céu, vejo que tá cheio de nuvens e digo: eu acho que hoje há de chover.

Eu acho que hoje há de chover. E quando a gente usa essa estrutura, eu hei de fazer alguma coisa, "ha de acontecer alguma coisa", "ela há de entender", por exemplo, isso significa que alguma coisa vai acontecer no futuro e que eu tenho a crença de que isso vai acontecer, eu tenho uma convicção de que isso vai acontecer. É uma questão de atitude. Eu posso dizer: "E pelo tempo, hoje vai chover". Ou: "E pelo tempo, hoje há de chover." "Vai chover" é uma frase simples, não tem nenhuma atitude do falante.

"Há de chover", o falante acredita, ele tem essa crença de que vai realmente chover.

Então, "eu vou concluir o meu curso" é uma declaração simples, 'Eu hei de concluir o meu curso' é uma promessa.

Então, 'eu hei de ajudar vocês a falar melhor português'. Não é 'eu vou ajudar vocês', não é simplesmente eu tô declarando. Não, eu hei de ajudar vocês, custe o que custar, eu vou fazer o que for possível.

Lembrando, nas notas adicionais lá no site da escola nós temos exercícios adicionais para fixar essa estrutura. Então, caso você seja um dos meus alunos ou uma das minhas alunas, entre em contato comigo e peça o seu exercício, porque eu sei que você vai praticar, ou você há de praticar, hã?

Continuando, no próximo parágrafo, então, nós temos: Muitas superstições vêm e vão. Algumas, porém, perduram séculos e se transformam ao longo do tempo. E só temos um bom verbo aqui: perdurar. Então, perdurar é a mesma coisa que durar, mas perdurar tem o sentido de durar muito mais tempo, durar muito tempo, ou permanecer. Então eu posso dizer que o calor está durando muito, ou como a gente tem aqui no Nordeste do Brasil, de vez em quando nós temos seca, né, passa muitos anos sem chover.

Então a gente diz que o calor perdura, né, a seca perdura muitos anos. A gente teve seca que perdurou mais de década aqui. Uma coisa terrível.

No próximo parágrafo, nós temos duas palavras boas, mas vamos ler o parágrafo todo, né? Veja só: antigamente, casar-se em maio era desaconselhado. E aqui nós temos a primeira palavra, que é desaconselhado. E desaconselhado vem do verbo desaconselhar, e desaconselhar É aconselhar que não adote ou que não aceite. É aconselhar, só que ao contrário, tá?

Mas nós temos uma palavra mais chique para isso, nós temos dissuadir. Então imagine só, a gente teve aqui no Brasil entre 2014 e 2016 uma crise terrível com uma doença chamada chikungunya. É uma doença muito chata, transmitida por mosquitos, e pode ser perigosa para bebês ou para pessoas grávidas. Se ela tem lá um bebezinho na barriga, essa doença pode causar problemas para o bebê, né? Então, os governos de outros países desaconselharam a viagem ao Brasil nesse período.

Inclusive, um dos meus alunos, ele recebeu, né, esse desaconselhamento Porque a esposa dele estava grávida, né? E eles vinham para o Brasil em 2000 e— eu acho que foi 2016. E aí ele disse que acabaram cancelando a viagem por questões de saúde. Então, viajar era desaconselhado, ou a viagem era desaconselhada, ou desaconselhava-se a viagem. Temos muitas maneiras de falar.

A segunda palavra boa nesse parágrafo é aplacar. E aplacar significa, nessa situação aqui, acalmar, né? Deixar calmo, deixar mais tranquilo, diminuir a força. Então deixar mais fraco. E no caso desse parágrafo é porque os maus espíritos estavam com muita raiva por causa do assassinato que tinha acontecido, né?

Foi o Remo que morreu, ele foi assassinado pelo Rômulo. O Rômulo matou o Remo, e o Remo, depois de morto, ficou um fantasma muito irritado. Ele ficou: "Ai, eu vou me vingar desse desgraçado!" E aí, para acalmar para aplacar essa raiva, né, os romanos faziam essas oferendas. Eles davam comida, davam várias coisas para acalmar, para aplacar os maus espíritos. Hoje em dia nós podemos usar aplacar também no sentido de acalmar ou aliviar, né.

Imagine só, uma pessoa fica sentada durante muitas horas, como eu, Aí, normalmente ela faz alguns exercícios e esses exercícios aliviam, mas um dia específico os exercícios não dão conta, eles não resolvem o problema. Aí a pessoa toma um remédio para dor, para aplacar essa dor nas costas. Então ela toma um remédio para aplacar a dor. Você pode tomar um remédio para aplacar a febre, Pode tomar um remédio para aplacar algum sintoma, né, de alguma doença. Então, reduz, alivia, diminui a intensidade, suaviza geralmente uma coisa ruim, tá?

Você não vai aplacar a felicidade de alguém, normalmente não, mas a gente aplaca a tristeza, aplaca a raiva, aplaca a dor, aplaca o calor também, né? Quando tá muito quente, você liga o ar-condicionado e fica tranquilo. Ou liga o ventilador, se for o meu caso. E aí, na continuação da história, no outro parágrafo, nós temos uma pequena história. E isso é um fato mesmo, gente, é o Rei Felipe de Portugal e mais outros dois reis que se casaram no mês de maio, né, que era um mês considerado mau, era um mês azarento para se casar.

Porque quem se casasse em maio ou tinha um casamento curto ou morria rápido, ou tinha muito problema, né? E um desses reis viveu com problemas de saúde, o outro enviuvou. E enviuvar vem da palavra viúvo ou viúva, que é quando o companheiro ou a companheira de alguém falece, que é um fato muito triste. Então uma pessoa que perde o marido, perde a esposa, a gente diz que essa pessoa enviuvou. E no próximo parágrafo nós temos mais duas estruturas, ou melhor, três, mas são três estruturas simples.

A primeira estrutura é: "Olha que legal!" E é só para falar que aqui eu estou usando o imperativo de "você". "Olha você, que legal!" Se eu tivesse usando imperativo de "tu", seria "Olha que legal!" E é uma expressão que a gente usa muito para falar: "Olha que interessante!" "Olha que legal!" "Olha que divertido!" "Olha que diferente!" Para chamar atenção de alguma pessoa para ver alguma coisa ou para introduzir alguma coisa que nós queremos atenção, né? A qual nós queremos atenção.

E a coisa chamada, a coisa que se chamou atenção aqui foi A superstição e o fato de ela ter mudado. Mas ela não mudou assim, de repente, não. Ela mudou devagarinho, devagarinho. E aqui no ensaio nós temos que ela foi mudando, ela foi desaparecendo.

Veja só, eu não disse que ela mudou, eu disse que ela foi mudando. Eu não disse que ela desapareceu, eu disse que ela foi desaparecendo.

E quando a gente usa o verbo ir mais o gerúndio, então, vai fazendo, vai desaparecendo, vai aumentando, vai diminuindo, nós estamos falando de uma coisa que acontece de maneira gradual e a nossa ênfase é nessa transição.

Eu posso dizer: a superstição mudou, a superstição desapareceu, ou ela desapareceu devagarinho. Mas eu posso também dizer: ela foi desaparecendo, ela foi desaparecendo. E eu posso dizer para você, no começo, quando nós estudamos português, é muito difícil. Mesmo quando nós já entendemos bastante, ainda tem muita coisa chata. Mas se você continuar sempre em contato com o idioma, mas não só em contato, você pensa sobre o idioma, reflete sobre o idioma, você abraça o idioma, dá um beijinho na bochecha, você sai com o idioma para passear e viajar, você vai entendendo mais e mais.

Então, se você quiser ir entendendo mais e mais, escute os nossos episódios todo santo dia, porque eu sei que você escuta. E se quiser também dar sugestões de temas para os nossos episódios, eu tô sempre aceitando, porque como você sabe, eu procrastino para caramba, preciso sempre de novas ideias.

E a terceira estrutura é usar que mais um adjetivo, como no final. Que inesperado, né? Então, quando a gente quer mostrar um grau muito alto de alguma coisa: ai, que calor! Ou seja, tá muito quente. Ai, que bonito!

Ou seja, muito bonito. Que feio! Ou seja, muito feio. Então, essa superstição de não se casar em maio acabou se transformando em Se casar em maio. E a superstição agora é diferente.

A superstição é: se você casar em maio, vai ter um casamento lindo e feliz. Agora nós vamos escutar esse episódio mais uma vez, esse ensaio, mas dessa vez falado numa velocidade mais natural e um pouco mais rápida também. Então, vamos lá.

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