
— Ainda vai demorar muito, Ofeak? — questionou Thomas, enquanto aguardava o anão preparar os mogunis para o treinamento daquele dia. Pela primeira vez desde que iniciara seu treinamento, Thomas iria lutar não com um ou dois oponentes, mas com todos os cinco. Ofeak preparava os bonecos de forma minuciosa, longe das vistas de Thomas, que saltitava e soltava socos curtos no ar, tentando manter o aquecimento e o alongamento.
Thomas estava ansioso para saber qual seria aquele tipo de treino. Não tinha a menor ideia do que viria, mas sentia-se preparado para enfrentar o que viesse. A adrenalina subia cada vez mais, até que Ofeak voltou para o salão da entrada das cavernas e disse:
— Bom garoto, chegou a hora de ver o quanto você evoluiu durante esses anos. No final das cinco câmaras que existem na passagem leste está o meu martelo de malhar o ferro. Sua tarefa é encontrar o martelo e trazê-lo a mim.
— Só isso? — perguntou Thomas, espantado.
— Sim. Uma tarefa bem simples. Quando estiver pronto, pode ir. Quando você cruzar o portal, terá meia hora para realizar a tarefa.
— Está bem — disse Thomas, caminhando para a direção da câmara leste. Na entrada, olhou para cima, tentando buscar algo diferente, mas nada além do que já havia visto muitas vezes estava ali. Fechando os olhos por um instante, respirou fundo e disse:
— Pronto!
— A contagem começa agora. Vá! — disse Ofeak, girando uma pequena ampulheta para que a areia começasse a correr. Thomas adentrou a câmara, tomando o sentido da esquerda para passar até a próxima. Tudo estava muito escuro, e a parca luz que vinha das tochas colocadas por Ofeak parecia menor. O reflexo das tochas nas rochas atrapalhava o senso espacial de Thomas, que tendia a ver as coisas em diferentes proporções de tamanho e distância.
Seguindo o corredor, passando a entrada para o salão seguinte, Thomas sentiu como que uma coluna de ar vindo de sua direita e acima de sua cabeça. Tratava-se de uma passagem que ele conhecia, mas que subitamente havia sido bloqueada logo à frente.
“Essa coluna de ar não é tão estreita assim”, pensou. Foi quando um vulto vindo daquela direção saltou em cima de Thomas em grande velocidade. Um dos mogunis pulou veloz em sua direção, com a mão direita erguida, pronto para desferir um poderoso soco no jovem assim que tomasse a distância. De súbito, um “lampejo” surgiu na mente de Thomas, relembrando-o de um movimento aprendido nos livros. Tratava-se de uma esquiva a ser realizada com um rolamento à frente, caindo em posição de combate logo em seguida. Imediatamente Thomas realizou a manobra, conseguindo desviar do poderoso golpe do moguni que, de tanta força ao golpear, criou um deslocamento de ar que varreu o pó e algumas pedras pequenas e soltas próximas.
No mesmo instante, outro moguni surgiu das sombras, tentando golpear Thomas com um chute aéreo poderoso na direção das costas de Thomas. Percebendo o movimento quase que por um instinto sobre-humano, Thomas novamente teve um flash mental e o vislumbre de uma das figuras de um dos livros, a qual estava agachada com as pernas completamente abertas em 180 graus, rente ao chão, e em seguida se levantava com um giro muito rápido e novamente em guarda. Foi exatamente o que fez e, justamente no momento em que abriu as pernas e tocou a pelve no chão, projetando em seguida seu corpo para a frente, viu passar por cima de sua cabeça o moguni voando com a perna estendida no que seria seu pescoço.
Girando e colocando-se em guarda novamente, Thomas agora tinha diante de si dois mogunis e, logo atrás, o próximo salão. Ciente de que precisava ser rápido e de que uma luta contra as duas marionetes consumiria um tempo precioso, optou por sair correndo em direção ao pórtico, mesmo que isso significasse ser perseguido pelos mogunis. Saiu então correndo o máximo que podia, ciente da grande velocidade que seus perseguidores teriam. Displicente, no momento em que cruzou a grande entrada da próxima câmara, acabou pisando em uma corda fina que se rompeu. Imediatamente uma grande pedra pendurada em uma corda forte balançou em sua direção, vindo pela frente, e uma outra, tão grande quanto, veio pelo seu flanco direito, sendo essa segunda vinda de um ponto mais afastado. Mais uma vez, sendo guiado por seus instintos e pelo árduo treinamento que vivera até aquele momento, Thomas deslizou de joelhos, quase encostando suas costas no chão, passando por debaixo da enorme rocha que era projetada em sua direção. Levantando-se rapidamente, freou sua progressão no exato momento em que a grande rocha que vinha de sua direita o iria tocar, dando tempo de saltar para trás, colocando as costas no chão e imediatamente levantando num salto ágil e veloz. Os mogunis pararam ao perceberem a grande pedra em sua direção, esperando-a pendular para continuarem sua perseguição. Thomas percebeu então que a rocha bloqueava os perseguidores e, ao perceber que ela estava voltando, correu como por instinto na direção dela, saltando para cima da pedra no momento exato, antes que a outra pudesse voltar. Usando o grande impulso proporcionado pela rocha, saltou para frente, conseguindo assim percorrer grande distância.
Ao cair no chão, rolou suavemente e usou uma das mãos para frear seu impulso, realizando um pouso perfeito e relativamente suave. Ao levantar a cabeça, percebeu uma grande trama de cordas finas no chão que se ligavam a caixas com furos na parede. Pensou Thomas então:
— “O que esse anão desgraçado pensa que está fazendo? Ele quer me matar?!
Foi então que outro moguni saltou na frente de Thomas, com os pés entre os cabos. Saltitando entre a trama, seguiu na direção de Thomas, que não viu outra solução senão saltar para o lado esquerdo, colocando os pés por entre as cordas, evitando pisá-las. Com grande destreza, Thomas enfrentou o moguni em uma sequência incrível de golpes, esquivas, contragolpes e acrobacias realizadas entre a trama de cordas. Em um desses embates, o moguni realizou um giro no ar, passando a perna esquerda por cima de Thomas para tentar golpeá-lo com a direita. Porém, Thomas percebeu e, usando o antebraço esquerdo, empurrou o que seria a coxa do boneco para cima, seguindo com um poderoso soco na pelve, que estaria aberta, desferido com a mão direita. Este movimento fez com que o moguni caísse em cima das cordas, rompendo-as. As cordas rolaram rapidamente em direção às caixas por meio do que parecia ser uma polia. Duas caixas começaram a atirar pequenos dardos com pequenas esferas na ponta, que mais pareciam pedras, mas eram escuras e pesadas. Thomas imediatamente rolou para o canto do salão, buscando proteger-se o melhor possível dos projéteis.
O moguni deitado recebeu a maioria dos dardos, mas Thomas também havia recebido alguns e agora tinha parte de sua perna esquerda contundida, dada a grande força com que fora atingido. Mesmo sem se ferir gravemente, Thomas tinha algumas limitações em seus movimentos com a perna atingida, o que o prejudicaria no cumprimento de sua tarefa, mas infinitamente menos grave do que seria se atingido por todos aqueles dardos.
Seguiu adiante, saltitando por entre os espaços existentes na trama de corda que ainda existia pelo resto do caminho, quando percebeu que os outros dois mogunis que o haviam perseguido também saltavam por entre a primeira parte da trama que ficara na entrada do salão. Correu depressa, esquecendo-se da dor que sentira, buscando o mais rápido possível passar para o próximo nível.
A quarta e penúltima câmara era composta por um caminho estreito, cercado por diversas estalactites. Mesmo sendo uma câmara larga, o caminho era restrito a apenas uma pessoa passar por vez. Na outra extremidade, Thomas viu um moguni montando guarda na passagem, já se colocando em postura de ataque com o claro intuito de impedir sua passagem para a próxima e última etapa de sua missão.
Por um instante, Thomas parou. Sabia que havia três atacantes às suas costas e agora um à sua frente. Não havia como realizar um ataque lateral, pois as estalagmites afiadas impediriam qualquer tentativa de movimento mais aberto, cortando sua carne ou perfurando seu corpo no mesmo instante em que as tocasse.
Sem saída, lembrou-se de um dos conselhos mais repetidos por Ofeak durante todo o tempo de seu treinamento: “Quando você estiver encurralado e diante de um inimigo que julgar mais poderoso que você, use a força dele para ganhar a maior vantagem que você puder. Uma grande torrente de água jamais poderá ser bloqueada, apenas desviada.”
Rapidamente, Thomas pensou numa estratégia para sair daquela situação. Correndo na direção do moguni, soltando um brado de batalha altivo e poderoso, Thomas colocou-se como um grande touro que corre na direção de um alvo sem temer o que esteja à sua volta ou mesmo à sua frente. O moguni fez o mesmo e, com uma velocidade ainda maior, correu na direção de Thomas. Os dois vinham como grandes e perigosas carroças soltas em um barranco, prestes a se chocarem uma com a outra. Foi então que o moguni saltou na direção do rapaz para aplicar-lhe um poderoso soco aéreo, usando toda a força adquirida com a corrida. Foi exatamente o que Thomas esperava que fosse feito por parte de seu adversário. Pegando impulso, saltou e rolou para frente. Ao completar o giro, mirou no que seria o peito da marionete e, imediatamente, com os dois pés, usou toda sua força para deslocar ligeiramente o moguni para o seu lado esquerdo. A consequência foi que a marionete continuou seu voo até encontrar-se com algumas estalagmites que estavam à beira do caminho, espatifando-as com seu peso e velocidade. Thomas aproveitou e pôs-se a correr em direção à entrada da última câmara.
Ali chegando, deparou-se com um último moguni que portava um pedaço de madeira da espessura do cabo de uma enxada, mas com cerca de um metro de comprimento, aparentemente guardando algo que estava logo atrás. Thomas ouviu passos fortes logo atrás e percebeu que estava cercado. Olhou para o lado e lembrou-se de onde estava. Tratava-se da câmara onde, há poucos dias, treinara manobras furtivas e deslocamentos por entre as sombras. Como um espectro que simplesmente desvanece na escuridão, rolou para trás e para a esquerda, camuflando-se por entre as pedras.
Três mogunis chegaram à câmara, juntando-se ao que ali já estava com o bastão na mão. Pouco depois, um outro chegou, este bem arranhado e com algumas lascas de madeira soltas pelo corpo. Os cinco então fizeram um círculo, por onde buscavam proteger algo que estava no centro da câmara.
Thomas precisava encontrar uma forma de investigar o que havia ali no meio. Esgueirando-se pelas sombras até uma parte um pouco mais alta, protegido por uma projeção de quartzo na rocha, Thomas conseguiu avistar, ainda que pelas sombras, o martelo de Ofeak no meio dos mogunis.
“Ali está o maldito martelo”, pensou. Era preciso encontrar uma maneira de desviar a atenção dos mogunis para longe daquele ponto. Observou que o salão estava todo iluminado no ponto onde os guardas estavam, o que afastava qualquer possibilidade de uma aproximação furtiva. Era preciso improvisar.
Achou perto de si algumas pedras cintilantes e teve uma ideia para desviar a atenção das marionetes. Rastejando até chegar próximo a uma das tochas que havia na parede, usando outras pedras maiores como refúgio, Thomas ergueu uma de suas mãos em direção à tocha e viu que sua sombra era projetada do outro lado do salão quase com perfeição. Encostou na pedra em que estava, fechou os olhos e respirou fundo. Sem dúvida, aquela era a coisa mais perigosa e arriscada que havia feito até então durante todo o tempo de seu treinamento:
Movendo-se para o lado da grande rocha, o mais discreto possível, Thomas pegou uma de suas pedrinhas e a jogou do outro lado do salão, ficando na frente da tocha em seguida, buscando projetar na parede. Aparentemente, seu plano dera certo e os mogunis acharam que ali ele realmente estava. Três deles foram em direção à sombra de Thomas, que viu o que julgou ser a única oportunidade que teria para apossar-se do martelo. Correu na direção dos outros dois, que estavam de costas, e, com um poderoso salto giratório, acertou o que seria a têmpora de um moguni, girando seu pé esquerdo para pegar impulso e acertando seu pé direito com toda força, complementando com mais um giro, agora no chão, de seu pé esquerdo para acertar o que sobrou no mesmo local. Preciso e muito forte, Thomas derrubou os dois últimos guardiões e pôde colocar as mãos no martelo que estava ali no chão.
— Finalmente! — exclamou Thomas, levantando o prêmio com grande alegria, que foi suplantada por um grande senso de urgência. Perceberá que apenas metade de sua tarefa estava cumprida e havia cinco mogunis dispostos a arrancar sua vida para ter o martelo de volta. Correu então o máximo possível de volta pelo caminho. Passou rápido pela quarta câmara e, logo na entrada da terceira, virou abruptamente para a direita, encostando na parede. Os mogunis passaram com pressa, saltitando pelas cordas. Mas, assim que chegaram ao meio da trama que ainda estava ali, Thomas partiu a corda com o pé. Todos foram atingidos pelos dardos e caíram. Thomas então correu veloz, usando alguns mogunis como plataforma de impulso para atravessar mais rápido. As grandes pedras ainda balançavam quando Thomas passou. De forma muito ágil, saltou e girou para desviar-se das pedras, seguindo em direção ao final de sua demanda.
Contudo, ao chegar no meio da anticâmara das luzes tremeluzentes, um vento súbito apagou as chamas e uma grande escuridão tomou o lugar. Cego e sem noção de onde deveria ir, Thomas ficou congelado e completamente perdido. Foi então que ouviu como que grandes pedras caindo à sua volta e o ranger de engrenagens a se levantar. Eram os mogunis que o estavam cercando. Sem precisar da luz para se movimentar.
“Este é meu fim”, pensou o jovem. O medo então tomou seu coração de uma forma que nunca havia sentido. Sabia da determinação das marionetes em retomar o martelo, ainda que fosse preciso tirar sua vida para isso. Sem enxergar um palmo diante de seu nariz, na mais completa e densa escuridão, Thomas arriou os braços, desejoso de desistir de seu fardo. Foi quando se lembrou de seu juramento e de todas as duras penas que o levaram até aquele lugar, naquele momento. Recordou-se das coisas difíceis que julgava ser impossível realizar, mas que, com esforço e dedicação, acabou fazendo com perfeição, conseguindo arrancar elogios até mesmo do ranzinza Ofeak.
— Ofeak não me perdoaria se eu desistisse. Não resta outro jeito senão lutar — disse Thomas para si mesmo, mas em voz alta. Tomou postura de guarda e aceitou o desafio que lhe era imposto. Fechou os olhos e tentou concentrar-se nos sons à sua volta. Começou a ouvir movimentos lentos de engrenagens a circulá-lo, até que todo som cessou de repente.
Tentou aguçar seus sentidos e tentou acalmar-se. Foi quando um flash de uma defesa de um soco nas costelas veio em sua mente. Por instinto e sem pensar, Thomas fez o movimento. Conseguiu bloquear um cruzado que vinha de um Moguni. Em seguida, uma série de flashes veio à sua mente, das mais diferentes esquivas, bloqueios e contrataques que se possa imaginar. Sendo guiado por um espírito de luta incompreensível até então, Thomas mantinha a fluidez de seus movimentos como se estivesse vendo tudo perfeitamente diante de si, a ponto de, em certo momento, ter a impressão de estar lutando contra as figuras que ali apareciam.
Um por um, foi desviando e aparando os golpes dos mogunis, que ocasionalmente o acertavam. Mas, mesmo assim, Thomas continuava a movimentar-se em uma luta feroz e desesperada por sua vida. Chutes, socos, cotoveladas e joelhadas eram distribuídos logo após algum bloqueio ou esquiva. Thomas girava a cabeça para um lado, agachava-se, emendando um soco poderoso na lateral do que seria o rosto de um moguni.
O combate foi intenso e completamente às cegas. Thomas saltava e circulava entre os mogunis com movimentos, bloqueios e golpes cada vez mais vigorosos e rápidos. Cada pancada recebida parecia aumentar ainda mais seu ímpeto pela vitória. Um por um, Thomas fora inutilizando os mogunis. Posicionando-se próximo às paredes e deixando-os golpeá-las, destruindo ou danificando braços e pernas, ora posicionando-se de forma que um atacasse o outro com toda força. Também acertava muitos e poderosos golpes, chegando a arrancar a cabeça de um após a sequência furiosa de três chutes circulares, sendo o último deles precedido por um salto.
No fim do combate, Thomas estava ensanguentado e ferido, mas conseguindo ver uma luz trêmula que vinha de suas costas. Completamente exausto e dolorido, Thomas seguiu trôpego em direção à luz pálida, buscando sair daquele lugar infernal. Tropeçando em pedras pelo caminho e rolando, começou a rastejar em direção à porta.
Foi então que finalmente chegou ao salão principal, onde Ofeak o esperava, fumando seu cachimbo, sentado e com a perna esquerda encostada numa pedra. Thomas então ergueu com dificuldade o martelo de Ofeak e o jogou ao chão, caindo em seguida desacordado. Ao recobrar a consciência, Ofeak estava no mesmo lugar, na mesma posição, olhando para ele com um semblante austero e frio. Virando-se de barriga para cima, sentia como se todas as partes de seu corpo estivessem quebradas e múltiplas dores o acometessem. Buscando forças, levantou-se e pôs-se de pé com dificuldades diante de seu professor, que disse:
— Você atrasou sua tarefa em um minuto.
Thomas olhou para Ofeak desapontado. Sofrerá tanta provação para, no fim das contas, não conseguir realizá-la no tempo devido. Thomas não conseguia responder absolutamente nada. Seus músculos estavam como em brasa, e a dor em seus ossos pulsava como se agulhas profundas lhe fossem cravadas e retiradas incessantemente. Ofeak então olhou para o jovem e disse:
— O tempo para realizar uma tarefa é tão ou mais importante que a realização dela. De nada adianta avisar a um capitão para não ir por um caminho onde há uma cilada à sua espera se você chegar após sua partida.
— Mas, Ofeak, eu…
— Não me questione, garoto! Você não cumpriu sua tarefa no tempo estipulado. Não importa o que você diga ou tenha passado; se você não cumpriu sua demanda no tempo devido, de nada adianta. No jogo da vida, ou você faz alguma coisa ou não a faz. Não há meios-termos. Agora venha, tome este remédio — disse Ofeak, tomando Thomas pelo braço, fazendo-o beber uma poção curativa que amenizaria suas dores. Em seguida, colocou faixas untadas com uma antiga receita anã para curar hematomas e feridas profundas. Após cuidar de Thomas, Ofeak disse:
— Use essas faixas durante quatro dias. Lave-se e vá me procurar logo após o pôr do sol durante todos esses dias para trocá-las. Não treinaremos até você se recuperar por completo.
Ao aplicar e apertar as faixas, Thomas gritou de dor e teve dificuldades para respirar. Aparentemente, suas costelas haviam se machucado muito na luta contra os mogunis. Também suas mãos e pés estavam feridos e precisavam ser enfaixados. No fim dos cuidados e com um pouco menos de dor, Thomas conseguiu apoiar-se novamente em suas próprias pernas, já capaz de caminhar devagar e mancando com a ajuda de Ofeak, que o colocou de pé e disse:
— No final do inverno, você passará por outro teste. Pratique tudo que aprendeste até então e fortaleça-se até lá. Seu aprendizado não progredirá até você superar esse desafio.
Em meio a muita dor, Thomas balançou a cabeça positivamente e foi junto do anão em direção à saída pela cachoeira.
