
Às vezes pergunto porque insisto no esforço 🙄?
Dou por mim em lugares, compromissos que já não me dizem tanto, ou melhor, a cumprir agenda, só porque dei a palavra. Cada vez menos é verdade, porque observo mais.
A resistência às vezes é bloqueio interno outras é aviso. E distinguir nem sempre é fácil. Dou por mim a ir à experiência para verificar qual dos dois está a ativar-se.
E mesmo quando é aviso tantas vezes me duvido, por consideração externa. A autoridade do outro, o valor. E o preço? É desconsiderar a minha sabedoria, o instinto primário do corpo.
Sinto tantas vezes a diferença, o registo diferente da maioria, que não sei como explicar, vem sem argumentos ou racionalidade e sinto-me indefesa na argumentação de mim mesma. Talvez seja por isso que um dia lá atrás quis ir para direito 😅
Achava eu que seria para defender a família da injustiça. E a necessidade do equilíbrio, da compreensão e igualdade. Nunca olhei profundamente para a questão.
A criança que se sentia desigual, inferior, diferente nas circunstâncias atípicas da estrutura familiar. A ausência de um pai e a figura materna presente, a avó. E uma mãe generala que estava sempre a trabalhar. A fantasia seria mudar esse mundo, recuperar a presença e o amor da mãe e talvez ressuscitar o pai. Não sei, estou agora também a especular, mas as coisas incríveis que uma criança faz para sobreviver e recuperar o amor que faltou. É uma forma de se agarrar à vida, a um objetivo para seguir.
Na verdade perseguimos o amor, ainda que tantas vezes distorcido. Hoje, sigo a busca pelo amor próprio. A desmontar as armadilhas que armo contra mim. A devolver-me tranquilidade. A baixar a guarda ao sistema nervoso.
A regressar ao sentir. Como estou aqui e agora?! Como permaneço. Como comunico com as tensões e lhes digo que podem relaxar. Como fico com a realidade sem deixar que a mente me envolva nas suas narrativas?!
Esse é o verdadeiro exercício. De permanecer onde estou, sem abalar nem para o passado nem para o futuro. E ainda assim preparar-me para o passo seguinte.
De onde vem o esforço? Do querer controlar, conter, segurar. Vou soltando o corpo. Escutando o que me diz, desmontando a pressão. Encontrando a medida certa entre a contração e a exalação.
Posso cair. Posso permitir-me cair. Há sempre chão, e nele posso relaxar também. Nunca ninguém me disse que podia. Mas hoje eu posso dizer-me que posso e permitir que suceda.
