
O direito de expressar viva voz o que incomoda, o que para si não é correto, o que lhe escorre nas veias. E dar-se conta como a voz engrossa, como o corpo se torna sério e a postura ereta. Como se indigna perante o obstáculo e a desresponsabilização do outro.
Claro é a percepção que leva no momento. E tem direito a ela. Assume essa voz que a move no momento. Percebe que não é pessoal com quem a recebe e faz questão de identificar. É com a instituição/ empresa. E expresso o meu desagrado e escrevo no papel. Dou vazão à voz que quer sair.
Quando saio sai outra voz a reconhecer e elogiar o serviço. A oposição à minha voz. Como 😳? E aqui por instantes tomo como pessoal… estaria a ser injusta e cruel?!
E apanho-me no padrão de “querer agradar” e “ser aprovada na razão que levo” 😅
Ambas as experiências são permitidas. A do elogio e do desagrado. E isso não tem de anular a minha voz e expressão. Não se trata de ter razão, mas permissão para sentir.
E assim me acolho, sem precisar de me punir ou arrepender por colocar a voz, dizer o que quero, sinto naquele específico momento. E também isso pode mudar e posso ser contradição, e ser injusta e falhar e o que for.
Mas acima de tudo… Tudo pela expressão, pelo direito de sentir. De me irritar, reclamar, indignar, desgostar e tudo e tudo. E se é a voz que se levanta e me sai a agressividade, pois que venha.
Sou isso tudo e posso ser. Como é tão mais fácil ser e expressar o agradável, o bonito, o poético… e também é amor soltar as caralhadas, o injusto, assim não gosto, assim não funciona, é desagradável e este é o meu limite. E esse é um serviço de merda, desumano, os gestos. E posso estar tremendamente errada, toldada pela minha percepção míope, mas também isso sou eu, aprendendo, crescendo, aceitando todas as partes que levo dentro.
