Colaborar

Jun 12, 2025

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Encarar de frente a ativação do corpo. A agitação do sistema nervoso. A aceleração do batimento cardíaco, os disparos dos impulsos elétricos que ocorrem no corpo, a respiração que acelera, o corpo que tensiona… basta imaginar o cenário de desamparo, desproteção, solidão, separação para que o corpo aceda às memórias contidas e se ative.

Posso comunicar ao corpo que estou ali, pode haver circulação disso tudo, descarga e que estou lá para ele, posso apoiar, simplesmente acompanhando, permitindo que suceda. Confiar que o corpo sabe o caminho. E sair da frente para que ocorra o que tem de ocorrer.

Entregar à sabedoria do corpo, libertar das ideias que sempre vêm à mente. Ficar no espaço vazio e aguardar o movimento seguinte.

Não intervir, participar apenas. Observar como a mente sempre quer adiantar-se, e quanta ansiedade isso traz, quanto ruído.

Confiar em cada encontro, no que ele traz, em cada percepção, sabendo que tudo o que está vivo está sempre em movimento, sempre mudando em cada fração de segundo.

Aceitar essa corrente sem querer contê-la e ser contentor, receptáculo de toda a dança.

Sempre que há uma subida há uma descida. Uma tensão quando atinge o seu auge demanda um relaxamento. Assistir a esta natureza e colaborar com ela é tomar decisões ritmo da contração e expansão da respiração.

Entregar-me, deixar ir, soltar é permitir-me entrar na dança do que é.

Regressar a casa, à espontaneidade e surpresa do corpo.

Colaborar com o que se mostra, acolher em vez de querer mudar, comparar. Sair da competição do querer ganhar ou não querer perder, da pressão do resultado, da pressa, do querer saber ou conhecer.

Colaborar de forma real com o ser que és. Aqui estás para ti, com tudo. Para respeitar, cuidar, amar, até que a morte altere esta condição e estado para outra coisa qualquer que não temos como aceder e ainda não chegou. Então que fiquemos com o que é, é isso é tanto, é tudo.

Escolho trabalhar junto (co-laborar), ser laboratório de mim mesma, experiência viva, em direto. Ponho a intenção, a vontade de estar presente… e espero por mim, nos momentos em que também estou ausente.

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