
Mais um acordar. Ligar o forno, olhar para o pão que levou a noite a crescer. É tão fixe observar o quanto cresceram enquanto descansavam 😃👌
E como gosto de metáforas, pergunto-me e te quanto crescemos enquanto descansamos?
9h da manhã e já cheira a pão fresco. Ups! Renderam 5, 1 extra para vender. E 12h já estavam as vendas organizadas.
Gosto de slow mornings e hoje cortaram a água a meio da manhã… e quando ela falta dou-me conta do quanto preciso dela, e quanto atrapalha a sua ausência.
Mais uns brincos de croché feitos pela manhã só para condizer com o vestido… e o olho para o livro emprestado “Deixa Estar” e volto a ler depois de umas semanas abandonado. E eis que umas horas depois recebo o convite para praticar o “deixa estar”.
Nesta mania de querer agradar, facilitar e diplomática dou por mim sempre a arranjar soluções para satisfazer o outro, mesmo que isso implique uma prisão para mim. Como é que o outro quer para que depois possa ajustar a minha vida com o que sobra.
Nem sempre me apanho neste modo operandis tão enraizado e automático, mas celebro quando me dou conta. O medo de desagradar o outro e se o fizer o preço a pagar é ficar só, ser rejeitada e todo um rol de narrativas que a mente sempre tem para contatar.
Então contenho a minha verdade, opinião para não desapontar. E hoje apanho-me com alguém a negociar comigo “devíamos ambas fazer meio caminho para a dita entrega” ao que respondo, não me faz sentido, uma coisa é ter de sair e se calhar a caminho, fazer o desvio e apoiar, outra é sair de propósito. Para o outro faz sentido o meio caminho. E é justo… cada um com a sua visão e opinião.
E como eu te respeito e tu me respeitas, sem que nenhum tenha de ter razão. É a singularidade de cada um a singrar.
E acima de tudo afirmar a minha vontade, os meus nãos e correr o risco de ser eu. Mesmo que implique caminhar só. Perder o que não é benéfico para mim. Sempre há um custo e benefício, que preço estou disposta a pagar por benefícios que se esvanecem tão rapidamente que fica o vazio.
Volto a acompanhar-me e a recordar-me através das trocas os lugares que ainda não abracei e cuidei. Que acompanhar-me é não abrir aquela porta que bate e ter a coragem de dizer não. É sentir-me ameaçada também pelo bater forte que me desperta e contactar com esse medo - de ser invadida, não estar segura, de ter de me proteger. Esse foi o sonho desta noite. Ter despertado com alguém a bater-me à porta de casa, era no sonho, não real. Mas assustei-me como se estivesse a acontecer naquele momento. Respirei e esperei a ver se me daria conta de outro toque. Foi aí que percebi que estava a sonhar.
A força abrupta do bater de porta deixou-me alerta e com necessidade de me proteger. Não fiquei curiosa com quem estaria do outro lado. Apenas esta necessidade de me proteger perante a ameaça. Assim reaccionou a minha psique. Estou protegida em mim, tenho limite e fronteira e para lá do medo há a força da guerreira que defende o território com unhas e dentes.
O outro sempre terá a sua história, visão e eu deixo-a estar, que o outro se faça responsável de si… enquanto eu também assumo a responsabilidade de ser quem sou e desfruto também dessa liberdade.
